
O Globo - O jovem Vrajamany Fernandes Rocha, de 21 anos, que foi vítima de um ataque de um tigre no zoológico de Cascavel, no Paraná, em 2014, e teve o braço amputado em decorrência do incidente, revelou que pediu para o animal não ser sacrificado.
Em entrevista ao site UOL, ele contou ainda que chegou a visitar o animal em 2022 e relembrou o momento do acidente e processo de reabilitação, reforçando a importância da natação para superar os traumas.
— Eu logo falei: ‘Não deixa sacrificarem o tigre’. Na minha cabeça, alguém ia querer fazer alguma coisa com ele porque em São Paulo eu já tinha visto muitos casos de cachorros sacrificados porque morderam crianças. Tem gente que até hoje me chama de assassino por causa disso, mas ele está vivo, super bem. Inclusive, voltei a visitá-lo em 2022: fui ver meu irmão, que ainda mora em Cascavel, e voltei ao zoológico — conta
Na entrevista, Vrajamany também relembrou o momento do ataque, quando foi socorrido pelo pai, que o acompanhava no zoológico. Marcos do Carmo Rocha chegou a ser condenado pela Justiça, em 2019, e recorreu da decisão.
— Coloquei o braço na grade e olhei para trás por algum motivo, talvez porque meu pai tinha me chamado, e nesse momento o tigre mordeu meu braço e puxou. Meu rosto travou na grade e não consegui ver a mordida, não senti dor. Só senti alguma coisa me puxando e me travando na grade. Hoje, tenho uma cicatriz no peito que veio do tigre me pressionando na grade. Assim que o tigre me mordeu, meu pai saiu correndo de onde estava, pulou a grade de proteção e ficou gritando: ‘Solta meu filho, solta meu filho’. Meu pai enfiou o dedo no olho dele, mas o tigre só me soltou quando quis e meu braço ficou totalmente dilacerado — recorda
Ao 13 anos, ainda no processo de reabilitação por conta do ataque, Vrajamany conheceu a natação. Desde então, o esporte se tornou parte de sua rotina e já o levou a conquistar título de campão brasileiro. O jovem treina agora para participar da próxima edição dos Jogos Paralímpicos, em 2028, e tem como principal sonho se tornar campeão mundial.
— Sempre fui competitivo, mas não pensava em ser campeão mundial. Agora, quero dar uma vida melhor para mim por meio do esporte e a natação me ensinou que tudo é possível, basta ter meta, traçar o plano e trabalhar todo dia para chegar lá. . Recebi propostas para integrar a equipe, entre eles o Praia Clube, em Uberlândia, que tem um número enorme de campeões brasileiros. Hoje, tenho oito medalhas de ouro e brigo para ser campeão mundial — disse

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