Agencia Brasil - Os países não
conseguirão alcançar o objetivo de reduzir, até 2020, os impactos
adversos que o uso de produtos químicos causam ao meio ambiente. O
alerta foi feito durante a 4ª Assembleia das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (UNEA), evento que começou hoje (11), em Nairóbi, no Quênia.
Segundo o
estudo Perspectivas dos Produtos Químicos a Nível Mundial, preparado
pela ONU Meio Ambiente ao longo dos últimos três anos, por meio de um
processo que envolveu mais de 400 cientistas e especialistas de todo o
mundo, “é urgente a adoção de medidas contra a poluição química”.
Sobretudo diante da expectativa de que a produção mundial destas
substâncias continue aumentando. “O objetivo
global de minimizar os efeitos adversos e os resíduos de produtos
químicos não será alcançado em 2020”, sustenta o estudo, sugerindo que
há alternativas para minimizar os prejuízos ao meio ambiente e à saúde
humana, mas que é necessário adotar “medidas mais ambiciosas, em todo o
mundo, com urgência”.
A meta de
reduzir “ao mínimo” os efeitos adversos dos produtos químicos a nível
global foi acordada em 2002, durante a Cúpula Mundial sobre
Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, que aconteceu em Johannesburgo,
África do Sul. Quatro anos depois, com a definição, por diversos países,
do Enfoque Estratégico para a Gestão de Produtos Químicos a Nível
Internacional (do inglês, Saicm), definiu-se uma estratégia da ação
global para tentar reduzir o impacto da produção e do consumo de
substâncias químicas poluentes.
Prioridades
Os
especialistas alertam que produtos químicos perigosos e contaminantes
seguem sendo liberados em grande quantidades, acumulando-se e ameaçando
às integridade das pessoas e da natureza. E apontam que o crescimento de
setores industriais que empregam grandes volumes de produtos químicos
(como a construção civil, a agricultura e o eletrônico) potencializa os
riscos, mas também oferecem “novas oportunidades de promoção ao consumo,
à produção e à inovação sustentáveis”.
“Segue
sendo prioritário abordar as deficiências em termos de legislação e da
capacidade dos países em desenvolvimento e emergentes, para os quais os
recursos [disponíveis] não se equiparam às necessidades”, sugere o
estudo, no qual os especialistas destacam que este fato representa um
obstáculo, mas também “oportunidades de financiamento novo e inovador”.
“Pode-se
economizar uma quantidade significativa de recursos com a troca de
conhecimentos sobre as ferramentas de gestão de produtos químicos e
aceitando a mútua ajuda em questões como a avaliação de riscos químicos e
proposição de alternativas”. Também consta da nota técnica a sugestão
de que as comunidade internacional procure harmonizar os protocolos de
investigação e se compartilhe as informações oficiais sobre os efeitos
dos produtos para a saúde humana e o meio ambiente, buscando estimular a
colaboração entre cientistas e os responsáveis por tomar decisões.
Assembleia
A
expectativa da Organização das Nações Unidas é reunir, na Unea, mais de
4.700 participantes de todo o mundo. São esperados chefes de Estado, com
o presidente da França, Emmanuel Macron; ministros de Estado,
empresários e representantes da sociedade civil organizada. Comandada
pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a delegação brasileira
oficial que participará da assembleia deve chegar a Nairóbi amanhã (12).
Salles discursa na quarta-feira (13), durante a abertura do plenário do
segmento de alto nível da assembleia.
Com o
lema “Pense no planeta, Viva simples”, a assembleia servirá de palco
para a discussão de novas políticas públicas, tecnologias e soluções
inovadorascapazes de proporcionar uma produção e um consumo mais
sustentável. O objetivo é que os participantes assumam compromissos
globais de proteção ambiental para os próximos anos, com metas
mensuráveis.

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