A folha
tem a marca do governo do Rio Grande do Norte e aponta, logo no topo, o
primeiro registro do então chamado Gabinete de Identificação e
Estatística da Repartição Central de Polícia. O Itep
passou recentemente por um processo de digitalização de seus documentos,
como registros e laudos, o que tem permitido de maneira mais fácil o
acesso a peças históricas. O projeto é de que, num futuro próximo, seja
criado o 'Museu do Itep', algo idealizado em 2016 após a descoberta de
um processo criminal contra o cangaceiro Lampião.
A
intenção é que a atual sede do Instituto, que fica no bairro da Ribeira,
seja transformado no museu assim que o Itep passar a funcionar na nova
sede, na avenida Capitão-mor Gouveia. "A gente projetou uma sede nova e,
com ela construída, seria interessante fazer desse prédio atual em que
estamos, que é histórico, de 1936, o nosso museu", explicou o
diretor-geral do órgão, o perito Marcos Brandão. Essa
mudança só deve acontecer, no entanto, daqui a cerca de três anos,
segundo o diretor. Enquanto isso, o Itep trabalha com o planejamento de
reunir esses documentos históricos numa sala - que seria em outro prédio
no bairro da Ribeira, no qual o Instituto deve instalar alguns setores
nos próximos dias."Por
enquanto, a ideia é de fazer algo mais limitado, com acesso menor, numa
sala dessa sede. Pelo menos para ter um negócio inicial", pontuou. Em 101 anos de atuação, o Itep já emitiu mais de 4 milhões de identidades no Rio Grande do Norte.
Quem foi Ferreira Chaves?
Dono da
1ª identidade feita no Rio Grande do Norte, Joaquim Ferreira Chaves
Filho foi um advogado nascido em Pernambuco - como é possível ver no
documento -, na capital Recife, em 15 de outubro de 1852, e que ganhou
importância política em solo potiguar no final dos anos 1800 depois de
se aproximar de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, líder do Partido
Republicano do Rio Grande do Norte, e após atuação no judiciário do
estado - ele passou por Martins, Pau do Ferros e Natal.
No
governo de Miguel Joaquim de Almeida Castro, iniciado em 1891, ele
liderou, junto com o ex-governador Manuel do Nascimento Castro e Silva e
outros correligionários de Pedro Velho, uma conspiração para derrubar o
governador. Miguel Castro foi deposto, preso e deportado para o Ceará.
Joaquim Ferreira Chaves foi então escolhido para compor uma junta
governativa.
"Em 1895,
Ferreira Chaves foi escolhido por Pedro Velho para ser seu sucessor no
governo do Rio Grande do Norte. Eleito, tomou posse em 25 de março de
1896. Em seu governo, possibilitou que a família Albuquerque Maranhão se
consolidasse definitivamente no poder", segundo explicou o professor
doutor em história da UFRN, Renato Amado Peixoto, no Dicionário da Elite
Política Republicana, da Fundação Getúlio Vargas, lançado em 2013.
Ele se
tornou senador em 1900 e foi reeleito para o cargo por mais nove anos em
1903. Anos depois, ele aproveitou uma agitação no estado que defendia
uma candidatura que não fosse ligada à família de Alberto Maranhão e foi
eleito. Empossado em 1914, passou a lutar contra os benefícios dos
"pedrovelhistas". Foi nesse período que teve o seu registro de
identidade feito.
"Em 1916
reformou a lei eleitoral do estado, tornando inelegíveis para o cargo de
governador os parentes consanguíneos e afins", explicou Renato Amado
Peixoto. Após o governo, Ferreira Chaves foi indicado para o Ministério
da Marinha, onde ficou de 1920 até 1921, e depois para o Ministério da
Justiça e dos Negócios Interiores, de 1921 até 1922.
Em 1923,
Ferreira Chaves tentou concorrer novamente ao governo do Rio Grande do
Norte, mas dessa vez foi derrotado. Ferreira Chaves voltou ao Senado em
1924, mas com a "Revolução de outubro de 1930 e a dissolução de todos os
órgãos legislativos do país, afastou-se da política". Ele morreu no Rio
de Janeiro no dia 12 de março de 1937.

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