
ElPaís - A Organização Mundial da Saúde, retirou a transexualidade da lista de
doenças mentais. Assim, a OMS deixou de considerar a pessoa transexual,
ou transgênero, como paciente com transtorno mental. A nova edição da Classificação Internacional de Doenças (CID) foi publicada nesta segunda-feira, 18. A transexualidade deixou de ser considerada uma doença mental “porque
não há evidências de que uma pessoa com um transtorno de identidade de
gênero deva ter automaticamente um transtorno mental, embora aconteça
muito frequentemente que seja acompanhado de ansiedade ou depressão”.
Palavras do diretor do departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OMS, Shekhar Saxena. Saxena observou que se uma pessoa transexual é identificada
automaticamente como vítima de um transtorno mental, “em muitos países
ela é estigmatizada e pode ter reduzidas as chances de procurar ajuda”. Até agora, as pessoas que não se identificavam com o sexo que lhes
foi atribuído ao nascer eram consideradas doentes mentais pelos
principais manuais de diagnóstico, devido à classificação da OMS.
As entidades LGTBI passaram anos reivindicando que a transexualidade,
que é um transtorno de identidade de gênero, saísse do compartimento
das doenças mentais e entrasse no de comportamentos sexuais.
História
A última revisão desta norma havia sido feita 28 anos atrás.
Durante a última década, especialistas analisaram as informações
científicas mais recentes para criar um novo padrão que pudesse ser
usado por profissionais da saúde do mundo inteiro. Cada país, no entanto, precisa se adaptar à nova CID, com prazo até 1º. de janeiro de 2022. A CID é uma codificação padronizada de todas as doenças, distúrbios, condições e causas de morte. Essa norma serve para que os países obtenham dados estatísticos e
epidemiológicos sobre sua situação sanitária e possam planejar programas
de acordo com isso.
Com a mudança, a OMS mantém a transexualidade dentro da classificação
para que uma pessoa possa obter ajuda médica se assim desejar, já que
em muitos países o sistema sanitário público ou privado não reembolsa o
tratamento se o diagnóstico não estiver na lista. “Queremos que as pessoas que sofrem dessas condições possam obter
assistência médica quando a necessitarem”, explicou Shekhar Saxena.

0 comments :
Postar um comentário