A
situação patológica da política brasileira faz com que o presidente
Michel Temer sinta-se seguro em relação à confusão instalada sobre os
áudios de sua conversa com Joesley Batista e, ao mesmo tempo, esteja em
perigo com as denúncias do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot
contra a cúpula do PMDB, classificada como “organização criminosa”.
À denúncia contra a cúpula do Senado feita ontem se seguirá a contra a
da Câmara, em que estão envolvidos o próprio Temer e seus principais
assessores, sejam os que já estão presos, como Geddel Vieira Lima e
Eduardo Cunha, sejam os ainda exercendo cargos no governo, até mesmo
ministeriais, como Padilha e Moreira Franco.
O presidente ganhou tempo com a decisão do ministro Luis Facchin,
responsável pelos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal
Federal, de levar ao plenário o pedido de sua defesa de suspender uma
provável segunda denúncia contra Temer até que as investigações sobre a
delação premiada dos donos da J&F terminem.
O
segundo passo será pedir que o Supremo anule todas as provas baseadas
na gravação feita por Joesley no Palácio Jaburu. Com isso, o governo
pretende inviabilizar uma segunda denúncia, que seria baseada na delação
premiada do doleiro Lucio Funaro, que já foi homologada. Funaro, que
era o operador clandestino do PMDB, confirmou que recebia dinheiro de
Joesley Batista para ficar calado sobre os crimes do PMDB, fato que foi
relatado ao presidente Temer pelo próprio Joesley na fatídica noite do
Jaburu, e recebeu seu apoio com a frase emblemática “tem que manter
isso, viu?”.
Funaro
delatou todos os principais líderes do partido que hoje está no governo
e foi a base da denúncia contra a cúpula do PMDB, lastreada em outras
delações premiadas, inclusive a do ex-senador Sérgio Machado que, como
presidente da Transpetro, uma subsidiária da Petrobras, indicado por
Renan Calheiros, desviou recursos para o grupo e depois gravou vários
deles.

0 comments :
Postar um comentário