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Presos conseguem ressocialização em programa da JFRN

Presos atendidos recebem formação profissional, carteira assinada e remuneração de um salário
Presos atendidos recebem formação profissional, carteira assinada e remuneração de um salário.

Tribuna do Norte - Em um momento de superlotação nas unidades prisionais e debate sobre recuperação de apenados, a Justiça Federal no Rio Grande do Norte vem desenvolvendo um projeto que atesta a viabilidade de ressocialização de presos. Implantado há 23 anos, o projeto  já atendeu 50 apenados e é destinado aos beneficiados com o regime semiaberto, aberto ou condicional, oferecendo um emprego dentro da própria instituição. A remuneração é de um salário mínimo.  

“O projeto de ressocialização de presos é consagrado na JFRN. Temos dezenas de exemplos: os apenados que após cumprirem a pena seguiram a profissão que eles aprenderam nos cursos que a Seção Judiciária oferece para eles; outros que continuaram trabalhando na nossa instituição como terceirizados e há ainda aqueles que seguiram caminhos em outros Estados, mas levando o aprendizado e as lições desse trabalho de ressocialização”, destaca o Juiz Federal Marco Bruno Miranda Clementino, Diretor do Foro da JFRN.  

Os reeducandos, como são chamados os presos do programa, cumprem uma carga horária de 44 horas semanais O pagamento do salário é feito em duas parcelas.  80% depositado em conta pessoal do trabalhador e para saque imediato e outros 20% são depositados em uma conta poupança e liberados apenas ao final de todo período de atuação na Seção Judiciária. Essa parcela funciona como uma “poupança forçada” e tem o objetivo de estruturar o reeducando quando ele concluir toda pena.  Além disso, os apenados recebem vale alimentação e vale transporte. O projeto desenvolvido pela Seção Judiciária ainda oferece curso profissionalizante para os apenados. Um dos recentes cursos oferecidos foi o de pedreiro.

Entre os presos inscritos no programa, está Sebastião Leocádio Sobrinho, 57  anos, condenado a 19 anos de prisão pelo crime de homicídio. Após cumprir nove anos em regime fechado, ingressou no semiaberto e começou a trabalhar como auxiliar de serviços gerais na Justiça Federal do Rio Grande do Norte. Ele foi um dos primeiros a participar do projeto de ressocialização. Ingressou na instituição em 1994 e permaneceu por 10 anos como reeducando. Após concluir  a pena, Sérgio Leocádio foi contratado pela empresa que presta serviço terceirizado na Seção Judiciária e continua trabalhando no Judiciário Federal na função de auxiliar de serviços gerais.

“Entrar na Justiça foi algo maravilhoso. Se não fosse isso, eu não saberia o que seria de mim”, disse. No programa, ele  teve a carteira de trabalho assinada pela primeira vez. Outro beneficiado foi Ivanaldo Gomes da Silva, 47 anos,  condenado pelo crime de homicídio, recebeu uma pena de 7 anos e três meses, desse tempo durante quase cinco anos ele permaneceu como reeducando na Seção Judiciária potiguar. Após cumprir a pena, ele também foi contratado por uma empresa que presta serviço terceirizado na Seção Judiciária.  

Origem

Toda essa atividade de ressocialização começou em 1994, por iniciativa do Juiz Federal Walter Nunes da Silva Júnior, titular da 2ª Vara Federal e então diretor do Foro. A idéia surgiu a partir da necessidade de promover a ressocialização, oferecendo oportunidade de trabalho com remuneração, além de uma reintegração com a sociedade. A partir de um convênio firmado pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte com a Secretaria Estado da Justiça e da Cidadania (SEJUC) foi possível a execução do projeto, que está centrado na lei de execução Penal. O projeto não gera vínculo empregatício, mas os reeducandos são beneficiados com a redução da pena: a cada três dias trabalhados, reduz um da pena.  Hoje os apenados atuam na sede em Natal e nas Subseções de Mossoró, Caicó e Ceará-Mirim.

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