Por Josias de Souza - Libertado por três dos cinco votos disponíveis na Segunda Turma do
Supremo Tribunal Federal, José Dirceu imaginou-se um homem totalmente
livre. Os fatos talvez o convençam do contrário. Arrastando uma
tornozeleira, Dirceu viajou até São Paulo. Dali, rumou para Brasília. Ao
chegar no prédio onde decidiu morar, ouviu uma barulheira que o fez ter saudades do silêncio da carceragem de Curitiba.
Cerca de 50 pessoas recepcionaram Dirceu. A exemplo dos membros da
força-tarefa da Lava Jato, a multidão parecia convencida de que a
liberdade do ex-chefe da Casa Civil de Lula é apenas um lastimável
equívoco das togas do Supremo. Ouviram-se palavras hostis. “Bandido”,
gritaram alguns. “Dirceu ladrão, seu lugar é na prisão”, entoaram
outros. Parte dos manifestantes invadiu a garagem do prédio de Dirceu.
A presença de 15 policiais militares, convocados para conter os
ânimos, mostrou a Dirceu que o habeas corpus do Supremo pode não ser
suficiente nem para lhe garantir uma ida à padaria da esquina. A
curiosidade dos repórteres deve ter aguçado em Dirceu o apreço pela
liberdade de imprensa —sua utopia naquele instante era se ver livre da
imprensa.

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