O excesso de autoconfiança é sempre um mau conselheiro, e levou o
Planalto e a equipe econômica a mandarem ao Congresso uma reforma
draconiana, acompanhada pelo discurso de que não poderia sofrer maiores
mudanças. Todo mundo se lembra de Henrique Meirelles dizendo que, se era
para fazer uma reforma menor, melhor não fazer nada.
Errado: a esta altura do campeonato, qualquer reforma é melhor do que
nada, e o governo vai ter que engolir a minireforminha que o Congresso
resolver aprovar. Os cinco pontos nos quais o Planalto resolveu ceder
são totalmente razoáveis, até porque corrigem injustiças do projeto
inicial com a camada mais fragilizada da população. Mas é preciso
entender que, aos ohos do Congresso, essas mudanças são apenas o início.
O governo piscou, e mostrou que, com sua baixa popularidade, perdeu
aquela situação em que controlava totalmente o Legislativo. A dura
realidade das pesquisas se impõe.
Deputados e senadores com encontro marcado com as urnas no ano que vem é
que vão dar as cartas da Previdência agora, e por aí já se deduz que
ela será completamente desossada. Para Michel Temer, porém, é preciso
ter algo para chamar de reforma para sobreviver até lá.

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