Para comemorar comme il faut um ano do golpe parlamentar contra Dilma
Rousseff, as forças empenhadas em dissolver as bases de qualquer
projeto nacional deram nova demonstração de vontade ofensiva. Na
quarta-feira (19), conseguiram reunir 287 votos (contra 144) para
avançar a reforma trabalhista na mesma Câmara dos Deputados que abriu o
processo de impeachment contra a ex-presidente. É verdade que foram 80
sufrágios a menos do que os obtidos para levar a então mandatária ao
cadafalso, mas revela uma disposição radical cujas consequências se
prenunciam funestas.
Clemente Ganz Lúcio, diretor do Dieese (Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos), chama a atenção para o caráter
interligado dos projetos constitucionais em curso. O dinheiro poupado do
corte de benefícios previdenciários proposto é importante para
viabilizar a PEC dos gastos, aprovada em outubro passado. Como o teto
estabelecido impede o aumento de dispêndio público, será preciso tirar
das aposentadorias para manter o mínimo de funcionamento em outras áreas
(segurança, saúde, educação etc.).

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