Esse tema “inversão de papéis” apareceu na minha caixa de e-mail e
antes de falar sobre ele eu fui dar uma fuçada no Google, pra ver o que
aparecia. Achei interessante porque vieram coisas do tipo inversão dos
papéis de pai e mãe, inversão de papéis na velhice, inversão de papéis
entre o casal, mas nada de inversão de papéis entre os filhos e os pais
ainda jovens e é sobre isso que falaremos hoje. Ouvir desabafos da mãe e do pai às vezes, é normal, dar um conselho ou
outro, tudo bem, mas quando nitidamente você filho ou filha, passa a
exercer um papel fundamental e de muita responsabilidade dentro de casa,
ops, algo está errado.
Exemplos de inversão de papéis
Sua mãe e seu pai brigam muito e constantemente um deles vem desabafar
com você e fala mal do outro. Você não teve nada a ver com a briga, mas
compra o desabafo e se sente no dever de ir falar com esse outro.
Sua irmã mais nova aprontou alguma coisa, sua mãe te liga e diz que é
pra você conversar com ela e colocar juízo naquela cabeça. Seu pai está
em casa e sua mãe também, mas a responsabilidade pra resolver a questão,
por algum motivo, recaiu sobre você.
São exemplos clássicos, rotineiros no consultório e à primeira vista,
inofensivos. Agora imagine isso durante toda a vida. Você, filho ou
filha, gerenciando a casa, cuidando de tudo e de todos. O que isso pode
causar?
Você pode acabar se perdendo: temos a própria vida para gerenciar,
quando estamos na adolescência, por exemplo, precisamos de tempo e de
energia emocional suficientes pra dar conta de nós mesmos. Imagine
adquirir uma tarefa extra de dar conta dos pais, ou da casa;
Você pode acabar se perdendo: temos a própria vida para gerenciar,
quando estamos na adolescência, por exemplo, precisamos de tempo e de
energia emocional suficientes pra dar conta de nós mesmos. Imagine
adquirir uma tarefa extra de dar conta dos pais, ou da casa;
Você pode ter problemas em relacionamentos futuros: sua responsabilidade
em dar conta de seus pais e de não deixá-los desamparados é tão grande
que você se anula, acredita que nunca poderá se apaixonar, pois assim
terá tempo de sobra pra cuidar da família. A inversão de papéis pode
destruir uma pessoa;
Você não sabe lidar com relacionamentos: como sempre precisou dar conta
do outro e de você mesmo(a), não deu tempo ou não teve como aprender a
como se relacionar de maneira saudável. Você não sabe receber: a vida toda foi você quem doou, sempre cuidou e
geriu tudo. Quando precisa de cuidados ou de carinho, não sabe como
receber.
Você faz as coisas além das suas capacidades. Sabe aquelas pessoas que
sempre ultrapassam os próprios limites? Pois é, não são capazes de
reconhecer que já deu, que podem parar, que podem cuidar-se, que podem
negar. São pessoas constantemente tristes e esgotadas, física e
emocionalmente.
Se você é uma mãe ou um pai que inverte os papéis com seu filho,
reavalie essa postura. Filhos não são as melhores pessoas para
desabafarmos e principalmente, não estão aí para dar conta das suas
dores ou crises existências. Se perceber que está fazendo isso, procure
ajuda profissional, não faça seu filho(a) sofrer.
Se você é um filho ou uma filha e se percebe nessa posição invertida,
tenta conversar com seus pais, procura ajuda também. De repente, uma
terapia familiar pode ajudar vocês a se reposicionarem e a vida de todo
mundo vai ser bem mais saudável. E se você acha que psicólogo, psicóloga é coisa pra gente maluca, faz um
teste, marca uma horinha e vai conhecer esse profissional. Vai perceber
como é incrível e como a vida pode ser bem mais fácil e leve.

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