O Globo - Uma
reunião entre o advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
dois funcionários da Odebrecht decidiu a confecção de um contrato falso
para evitar que as reformas em um sítio em Atibaia pudesse ser ligada ao
petista. É o que disse Emyr Costa, engenheiro indicado pela Odebrecht
para tocar as obras no sítio, que detalhou, em sua delação, um encontro
entre ele, Alexandrino Alencar, diretor da empreiteira, e Roberto
Teixeira, advogado e compadre de Lula.
—
Ele (Alexandrino Alencar) me disse para a gente contar ao senhor
Roberto Teixeira como que a obra tinha sido feita para que ele pudesse
bolar alguma forma de regularizar essa construção para que não parecesse
que tivesse sido feita em benefício do ex-presidente Lula nem tampouco
pela Odebrecht — contou Emyr Costa.
O
método que Teixeira teria encontrado para encobrir Lula como
beneficiário teria sido a confecção de um contrato entre o empreiteiro
da obra, Carlos Rodrigues, e o proprietário do sítio, Fernando Bittar,
sócio do Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente. O contrato
teria valor mais baixo do que o gasto na obra para ser compatível com o
rendimento de Bittar.
— Eu disse (para o Teixeira) que tinha
esse empreiteiro que tinha trabalhado lá, e aí ele deu a ideia. “Olha,
então você procura esse empreiteiro e faz um contrato em nome do
proprietário que aparece na escritura do terreno”. Naquela data, eu
fiquei sabendo que o sítio estava em nome do Fernando Bittar — disse
Emyr, emendando. — Era um valor mais baixo do que os R$ 700 mil que
tinha custado. Eu fiz o contrato pessoalmente, marquei uma reunião com
esse Carlos Rodrigues. Encontrei com ele no estacionamento do clube,
pedi para ele assinar o contrato e emitir nota fiscal no valor do
contrato. Ele me devolveu o contrato assinado e a nota fiscal e eu,
então, voltei uns dias depois ao escritório do Roberto Teixeira,
entreguei para ele e saí de lá.
O valor da obra, segundo Emyr Costa, foi
definido inicialmente em R$ 500 mil e teria sido pago pelo Setor de
Operações Estruturadas, departamento da Odebrecht responsável por
propina. O dinheiro chegava em espécie a Atibaia durante as obras, em
dezembro de 2010, enquanto Lula ainda ocupava a Presidência.

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