Folhapress - O criador do Facebook, Mark Zuckerberg,
anunciou nesta quinta-feira (16) que a empresa irá adotar novas medidas
para apertar o cerco contra a disseminação de conteúdo sensacionalista
na plataforma.
A rede social é a maior do mundo, com
quase dois bilhões de usuários, e vem sendo alvo de críticas de que
promove notícias falsas e que tem regras que dificultam a pluralidade de
opiniões.
O anúncio foi feito em forma de um longo manifesto publicado por Zuckerberg na própria plataforma. No texto, o empresário reconhece que "as
duas preocupações mais discutidas no ano passado foram sobre a
diversidade de pontos de vista que vemos ('filter bubble') e a precisão
de informações ('fake news')", mas afirma estar mais preocupado com "o
impacto do sensacionalismo e da polarização" ideológica, que levam "a
uma perda de entendimento comum".
Durante a campanha presidencial americana,
conservadores acusaram a empresa de ter um "viés liberal" na exibição
das notícias mais importantes. Após a vitória de Donald Trump, a rede
foi acusada de não ter atuado suficientemente para barrar a viralização
de conteúdo falso que favoreceu o republicano.
Zuckerberg defende que as "mídias sociais
oferecem pontos de vista mais diversos do que os meios tradicionais" e
que leva a sério a disseminação de conteúdo falso, mas indica que ainda
não encontrou método eficiente de combater o fenômeno. "Estamos avançando com cuidado porque nem sempre há uma linha clara entre fraudes, sátira e opinião", afirma.
De concreto, o empresário anunciou que
foram feitas mudanças no algoritmo do Facebook para tentar reduzir o
alcance do sensacionalismo. "Percebemos que algumas pessoas
compartilham histórias com títulos sensacionalistas sem nunca ler. Em
geral, se você ficar menos propenso a compartilhar uma história depois
de lê-la, é um bom sinal de que o enunciado era sensacionalista."
Segundo o texto, a rede irá monitorar
esses indicadores de leitura e compartilhamento para analisar as
reportagens e os veículos que as publicam e reduzir sua exibição na
linha do tempo dos usuários. "Há muitos passos como este que tomamos e
continuaremos a tomar para reduzir o sensacionalismo e ajudar a
construir uma comunidade mais informada."
O manifesto de Zuckerberg também aborda
outras iniciativas da empresa no sentido de "construir uma comunidade
global". Segundo o texto, o Facebook do futuro terá a missão de "nos
manter seguros, nos informar, promover o engajamento cívico e a
inclusão".
CRÍTICAS
Alguns analistas de mídia receberam as
novidades de forma cética, enxergando que trazem novos e maiores riscos
ao jornalismo profissional. "O Facebook já está com o dinheiro. Agora,
Zuckerberg está deixando claro que quer que sua empresa tome várias das
atuais funções -não apenas a receita de publicidade- das organizações
jornalísticas tradicionais", afirmou Adrienne LaFrance na revista "The
Atlantic".
"Ele usa linguagem abstrata mas o que ele
está descrevendo na realidade é a criação de uma empresa com os
objetivos clássicos do jornalismo. De certa forma, Zuckerberg está
construindo uma empresa jornalística sem jornalistas."
No manifesto, o fundador da rede social
diz que uma das preocupações da empresa é com a sustentabilidade da
indústria de mídia, mas não cita planos específicos além dos que estão
na Iniciativa de Jornalismo do Facebook, divulgada em janeiro.
"Uma indústria de notícias forte é crítica
para a construção de uma comunidade informada. Devemos fazer mais para
apoiar a indústria de notícias para garantir que esta função social
vital seja sustentável -desde promover os veículos locais, desenvolver
formatos melhores para dispositivos móveis, até melhorar a gama de
modelos de negócios das organizações."


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