Ao entrar
na cidade, o visitante logo vê o ápice da torre da matriz de São
Sebastião, capela que foi edificada a partir de uma promessa feita por
Atanásio Fernandes para o santo defensor contra a peste, à época da
epidemia de Cólera ocorrida em 1856; na promessa, ele se comprometia a
levantar uma capela em honra ao santo caso a peste fosse contornada. A
cólera foi vencida, e ainda hoje se pode ver o cemitério das pessoas que
morreram de cólera, que fica no Sitio do Livramento, o qual recebeu
este nome exatamente porque foi onde a cidade se livrou da doença, que
vinha, desde Cruzeta, realizando um genocídio.
Atanásio
morreu sem cumprir sua promessa, mas sua viúva , Izabel Maria de Souza,
junta a seus filhos, trataram de vingar com a dívida do chefe da
família, seis anos após a morte deste, em 1866; quando a missão de Frei
José Antônio de Maria Ibiapina, o “apótolo do sertão nordestino”, que
viajava pelo sertão construindo cemitérios para sepultar as vítimas de
cólera, a convite da viúva, alojou-se na região. Foi através desse
missionário, que a capela foi concluída no final deste mesmo ano e
inaugurada em 25 de dezembro pelo Padre Idalino Fernandes e, em 1904,
foi elevada à qualidade de matriz sob as bênçãos de São Sebastião , cujo
primeiro vigário foi o padre Ignácio Cavalcante. Foi ao redor da igreja
que o município se formou, iniciando com a primeira rua, que hoje é
denominada Cosme de Abreu, ao poente da matriz.
A igreja
matriz de São Sebastião foi edificada no terreno do antigo cemitério,
isso porque como ali era parte da freguesia de Acari, a paróquia de
Nossa Senhora da Guia negava a permissão para a construção de uma capela
no local, e a solução encontrada foi que se erguesse uma capela dentro
do cemitério, de maneira que a paróquia de Acari não pudesse interferir,
ou seja, a cidade nasceu ao redor do cemitério. Hoje, ele desapareceu
por completo, mas ainda pode se perceber as suas antigas delimitações
nas ruas vizinhas à matriz; outro cemitério foi construído ao poente da
igreja, assim como ordena a tradição católica.
Porém, da
construção da igreja até aqui já se foram muitas reformas, sempre para a
sua ampliação, a exceção de uma delas ocasionadas pela queda de sua
torre, que possuía 40 metros e foi substituída por outra de 25, com um
relógio no alto, incansável marcador do tempo dos moradores da cidade,
que continua ouvindo, a cada hora, as badaladas de seu sino. Em sua
forma atual, a igreja conta com, além da torre, dois corredores
laterais, a nave central, dez altares e o altar mor de São Sebastião; os
laterais são consagrados a São Francisco, São Roque, Nossa Senhora das
Dores, Sagrado Coração de Jesus, Santa Luzia, N. S. da Conceição, São
João, Santo Antônio, N.S. do Perpétuo Socorro e São Vicente; seu teto,
antes todo feito em madeira e degradado com a ação do tempo, foi
substituído por gesso.
Foto Tonny Washington

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