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Suspeito de estupro coletivo é um dos chefes da facção criminosa mais violenta do Rio

estupro
Sérgio Luiz fugiu do Complexo do Alemão após a pacificação, em 2010, e se instalou na favela onde a jovem de 16 anos sofreu abuso. O governo federal promete protegê-la da vingança do tráfico. 

Localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o Morro do Barão, onde a adolescente C.B. de 16 anos foi estuprada, é uma região conflagrada pela disputa entre traficantes de facções rivais e milicianos. A polícia responsabilizou pelo estupro da jovem um dos chefes do tráfico. Sérgio Luiz da Silva Júnior foi condenado a 12 anos de prisão em 2014 por tráfico de drogas.
 Moradores da comunidade do Barão, na Praça Seca, protestam negando estupro coletivo no Rio de Janeiro (Foto: Domingos Peixoto / Ag O Globo)
Moradores da comunidade do Barão, na Praça Seca, protestam negando estupro coletivo no Rio de Janeiro (Foto: Domingos Peixoto/Ag. O Globo).

Segundo documentos da Justiça, ele “é um exilado do Complexo do Alemão, onde exercia a administração superior do tráfico até a ocupação da comunidade”, tomada pelo Exército e a polícia no final de 2010. Conhecido como Da Russa, Sérgio tem “grande prestígio com o alto escalão do Comando Vermelho”, a maior e mais violenta facção do tráfico no Rio de Janeiro. Após denunciar o abuso, a jovem entrou para o programa de proteção à testemunha, pois corre risco de morte. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que garantirá a segurança da adolescente.

Nesta terça-feira (31) à tarde, o secretário estadual de Assistência Social e de Direitos Humanos, Paulo Mello afirmou que, segundo informações recebidas pela Secretaria, a adolescente corre risco porque a denúncia do estupro provocou operações da polícia nas favelas dominadas pelo tráfico. "Por muito menos, no Rio de Janeiro, traficantes se vingam e cortam até as mãos de pessoas", disse Mello.

Na manhã de segunda-feira (30), um grupo de motociclistas e moradores protestou na região da Praça Seca, onde fica o Morro do Barão, com cartazes em que se liam “não houve estupro” e “orgia não é estupro”. Manifestações em áreas dominadas pelo tráfico geralmente são incentivadas pelos bandidos. A delegada da Criança e do Adolescente Vítima, Cristiana Bento, disse que traficantes costumam estuprar jovens nas comunidades, e ficam impunes. 

Após a ocupação do Complexo do Alemão, o Comando Vermelho deu a Sérgio a gerência do tráfico de drogas no Morro da Cachoeira Grande, no Complexo de Lins, Zona Norte da cidade. Sérgio era braço direito do traficante Luiz Cláudio Machado, o Marreta, preso no final de 2014 no Paraguai. O Complexo de Lins também ganhou uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em 2013. A quadrilha então deslocou o seu quartel-general para a Zona Oeste.
 Recompensa de R$ 1 mil: Sérgio Luiz já é procurado por tráfico de drogas e foi condenado a 12 anos (Foto: Divulgação)
Recompensa de R$ 1.000: Sérgio Luiz já é procurado por tráfico de drogas e foi condenado a 12 anos (Foto: Divulgação).

Nas conversas, fica claro que ele controlava a venda da droga de acordo com a demanda –enquanto o produto mais caro estivesse saindo bem, não ofereceria aos viciados o mais barato: “Tá saindo só de (R$) 10. Ainda não fez o de 5. Aí o de 10 tá vendendo maneiro. Perguntei para os crackudinhos”, disse, referindo-se aos viciados em crack.

A Polícia Civil considerou uma vitória a Justiça ter determinado a prisão do chefe do tráfico pela suspeita de abuso sexual. Os delegados suspeitam de que Sérgio participou indiretamente do estupro ao dar anuência para o crime. Cinco jovens são acusados de envolvimento na agressão à adolescente dentro de uma casa na favela.

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