Prof. Roberto de Araujo - Dos carros sem motoristas à internet das coisas e dos órgãos em chip a
bactérias que se transformam em fábricas: essas são algumas das
tecnologias emergentes de 2016 que mudarão o mundo, melhorando a nossa
vida cotidiana, transformando os processos produtivos nas indústrias e
contribuindo para a melhoria do planeta. As 10 novas tecnologias foram anunciadas por especialistas do Fórum
Econômico Mundial e publicadas pela publicação científica Scientific
American. Confira quais são elas:
Internet das coisas a nível nano – Até 2020, 30 bilhões os
microsensores localizados em carros, termostatos, fechaduras, coleiras
de animais e vários outros objetos estarão conectados em rede e
conseguirão transmitir informações entre si. No entanto, a grande novidade da chamada internet das coisas será com a
criação e a produção em larga escala de nanosensores, que poderão
circular no corpo humano ou até estar dentro de materiais de
construções. Conectados entre si, esses sensores nanométricos poderão
revolucionar vários setores, da medicina à arquitetura, da agricultura à
produção de remédios.
Novas baterias – Um dos maiores obstáculos na difusão de energias
renováveis – como a solar e a eólica – é a imprevisibilidade entre sua
oferta e sua demanda, ou seja, muitas vezes o tempo está propício para
uma grande produção de energia que passa a ser mais do que a necessária
naquele momento para aquela região e que se perde ao tentar ser
armazenada. O contrário também ocorre, quando o tempo ruim não ajuda na
produção suficiente para determinado momento.
Para ajudar nesse armazenamento, tecnologias para a criação de baterias
mais potentes e menos nocivas ao meio-ambiente à base de zinco, sódio e
alumínio estão progredindo recentemente. Já pode-se criar, por exemplo,
baterias adaptadas a pequenas redes elétricas que conseguem oferecer
energia até para comunidades que antes estavam desconectadas.
A tecnologia do Blockchain – Outra tecnologia abordada como sendo
‘do futuro’ é o Blockchain, um registro ou livro-razão online
disponível a todos os participantes desse sistema virtual que reúne uma
rede de transações e de pagamentos realizados com a moeda eletrônica
Bitcoin.
Cada vez mais um número maior de pessoas e de grandes companhias, como
Google, Microsoft e IBM, estão desenvolvendo iniciativas de Blockchains e
percebendo o poder e o impacto positivo que essa tecnologia poderá ter
para mudar o mercado e suas gestões, além de melhorar a privacidade e os
problemas relacionados à segurança nas compras online. Esses projetos
podem também ser úteis e decisivos para simplificar e facilitar ações
como a venda de propriedades e a realização de contratos.
Materiais em 2D – Uma nova classe de materiais que contam com
apenas uma camada de átomos está sendo considerada uma das principais
tecnologias desse tempo. Um exemplo de material em 2D, como são
chamados, é o grafeno, feito a partir do carbono e que é mais forte que
aço, mais resistente que diamante, super flexível, super leve,
transparente e um veloz condutor elétrico.
Além dele, outros materiais como o siliceno (do silicone) e o fosforeno
(do fósforo), tem aplicações em vários setores e poderão ser, no futuro
próximo, mais fáceis e rápidos de serem produzidos.
Carros sem motoristas – A difusão de carros que não precisam de
motoristas para se deslocar vai aumentar gradualmente junto com a
tecnologia que garantirá a segurança desses veículos e com a introdução
de normas e leis que regularão a circulação desses carros nas estradas.
Eles também poderão ser extremamente úteis em populações mais velhas que
não querem ou não podem mais dirigir e na prevenção de acidentes.
Órgãos em chips – Essa tecnologia, que se faz cada vez mais
necessária, cria miniatura de órgãos humanos em microchips para que os
tecidos possam ser analisados e usados para acelerar os estudos contra
doenças e para o desenvolvimento de novos remédios sem o uso de testes
em animais.
Essa tecnologia é um grande passo para a medicina já que é difícil
encontrar órgãos reais que possam ser usados para experimentos com fins
de estudos. Até o momento vários grupos já criaram alguns protótipos de
rins, corações, pulmões e córneas.
Células solares em perovskita – Atualmente, para se obter energia
solar usa-se células de silicone, encontradas geralmente ocupando
grande parte dos telhados de casas e fábricas. Essas células apresentam
alguns problemas, como o tamanho e o peso que devem ter para funcionarem
bem (ambos grandes), a dificuldade para serem produzidas, a quantidade
de gases que são emitidos na sua produção e a transformação de apenas
25% da luz do sol que ilumina as placas em energia.
Para isso, cientistas estão desenvolvendo células a partir do mineral
perovskita que, segundo especialistas, poderão ser menores, mais leves,
mais rentáveis e menos poluentes que as de silicone em um futuro não tão
distante.
Inteligência artificial para criação de assistentes pessoais digitais – O
avanço nas tecnologias relacionadas à inteligência artificial está
fazendo com que programas onlines sejam cada vez mais capazes de assumir
um papel de assistente pessoal. Nos próximos anos esses programas devem
fazer muito mais do que apenas procurar um restaurante, mostrar um
caminho para determinado destino ou agendar uma reunião, como os
assistentes Siri, da Apple, ou Cortana, da Microsoft, fazem. No futuro, eles estarão conectados não apenas aos dados do celular e da conta de email mas também à casa e ao carro do usuário.
Optogenética – O funcionamento das células de um cérebro é algo
ainda misterioso para os cientistas. No entanto, em 2005 começou a ser
descoberta uma tecnologia que pode ajudar no entendimento desse órgão,
além de ajudar a prevenir ou a curar patologias intimamente ligadas a
essa parte do organismo, como dor crônica, depressão, transtornos
mentais, mal de Parkinson e até problemas de visão.
A técnica é chamada de optogenética, que basicamente oferece a
possibilidade de ativar ou desativar neurônios específicos com uma
precisão de milissegundos através de diferentes feixes de luz coloridos.
A tecnologia consiste em implantar proteínas de pigmentos nas células
cerebrais que, com o recebimento de uma determinada cor de luz irá
responder de uma maneira específica e programada.
A grande novidade é a criação de microchips um pouco maiores apenas que
um neurônio que podem ser injetados nas células do cérebro levando com
eles os pigmentos requeridos.
Microrganismos como fábricas – Os avanços nos campos de
bioengenharia, como os de biologia sintética, biologia de sistemas e
engenharia evolutiva, estão permitindo com que bactérias e outros
microrganismos se transformem em fábricas de químicos que poderão no
futuro substituir os petroquímicos, como petróleo, carvão e outros
combustíveis fósseis. Com microrganismos vivos sintetizando químicos, setores como o de
biocombustíveis e o de remédios podem evoluir e impactar menos o
meio-ambiente, sendo menos poluentes e nocivos.

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