Novo Jornal - Natal e
sua região metropolitana reúnem aproximadamente 10 mil elevadores, de
acordo com dados do CREA (Conselho Regional de Engenharia e
Arquitetura). Contudo, não há registros totais do número de acidentes
com os equipamentos que são considerados o meio de locomoção mais seguro
do mundo. O controle do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte
(CBRN) só abarca o número de incidentes em que o órgão é comunicado.
A estudante de jornalismo Natália Noro, 21, mora com a família em um
apartamento no bairro de Lagoa Nova, zona Sul de Natal. O prédio em que
vive foi construído há aproximadamente três anos, mas ela já passou
vários sustos ao se locomover pelo eleva dor da estrutura. Por duas
vezes o aparelho deu um tranco e depois começou a descer lentamente,
ficando preso no subsolo do edifício. “Fiquei um pouco assustada na
hora. Tive medo que ele despencasse porque foi um tranco bem forte.
Depois desse baque ele foi descendo normalmente, tanto que eu nem
sentia”, relata Natalia.
Na maior parte dos casos esses registros dependem que as empresas sigam a
recomendação do CREA e criem um livro de ocorrências. Entretanto, não
existe nenhum órgão público que analise estes registros. Eles serviriam
apenas para controle da empresa.
De acordo com as estatísticas do Corpo de Bombeiros, o prédio de
Natália está entre um dos bairros natalenses que mais registra
ocorrências em elevadores. Dentre os bairros com maior número de casos
estão Ponta Negra, Lagoa Nova, Tirol e Alecrim. Apesar de relatos como o
de Natália serem frequentes no cotidiano, há poucos registros feitos de
forma oficial. O caso de Natália, por exemplo, não foi protolocado
registrado pelos bombeiros.
Entre 2010 e 2015, o setor de estatística do Corpo de Bombeiros
registrou uma média de 42 acidentes por ano e atendeu uma média de 25.
Em 2013, este número teve um pico de 53 casos. Os primeiros quatro meses de 2016 já registram 19 ocorrências em
elevadores em Natal, o que representa aumento de 111% no número de
registros quando comparados ao primeiro quadrimestre de 2015.
Os dados parecem mais claros quando observamos que entre janeiro e
abriu de 2013, a corporação registrou 22 casos de acidentes com
elevadores. Em 2015 este número caiu para nove . Para o Sargento Douglas Almeida, que responde pelo setor de
estatística do Corpo de Bombeiros, os números deste ano devem ser
semelhantes aos de 2013.
A corporação não registrou acidentes fatais ou quedas de elevadores em
todo o período analisado. A maioria dos incidentes correspondem a
paralisação do equipamento, que faz com que as pessoas fiquem presas.
"Na maior parte dos casos o elevador fica desnivelado do piso por
aproximadamente 20 cm e a trava de segurança do equipamento impede que
as portas sejam abertas.
Nesses casos a manutenção usa uma chave
específica para nivelar e abrir a porta com segurança. Não há registros
de óbitos ou queda de elevadores. Um dos maiores riscos é que as pessoas
entrem em pânico ou que aqueles que tem claustrofobia passem mal",
explica o sargento.
Ele relata que há subnotificação de acidentes em elevadores. Isso
acontece porque a maior parte dos casos é resolvida pela empresa que
instalou o equipamento ou por funcionários do prédio sem que seja
necessária uma intervenção do órgão.
É por isso que apesar de os relatos serem tão frequentes, os
registros oficiais parecerem irrisórios, diante da demais ocorrências
atendidas pelos bombeiro (combate a focos de incêndio e resgates, por
exemplo). No ano passado, os incidentes em elevadores representaram
0,30% do total de ocorrências registradas pela instituição.
Cuidados
Apesar de não serem acidentes graves, é preciso que os operadores e
usuários tenham consciência do risco existente. A Capitã Denise
Figueiredo coordena a escola de formação de bombeiros, na Base Aérea de
Parnamirim e explica que a principal recomendação é manter a calma.
“Hoje em dia os elevadores contam com botão de alerta ou interfone. O
recomendado é solicitar ajuda e manter a calma”, ressalta a Capitã.
Ela afirma ainda que os bombeiros são constantemente treinados para
atender estes casos. “Além de ser parte dos treinamentos que fazem
parte da formação básica dos nossos profissionais dentro do módulo de
resgate em terra, também existem cursos promovidos pelas próprias
empresas”, explica a Capitã.
Em caso de incidentes, o maior risco que as pessoas correm é se
ferir ao tentar forçar a porta do elevador ou tentar sair sem o auxílio
de uma equipe preparada. Ela explica que em caso de acidentes, o usuário
corre o risco de se machucar tentando forçar a porta. No pior dos
cenários ainda existe o risco de ao tentar sair, a redistribuição do
peso faça com que o elevador volte a se movimentar sem que a pessoa
tenha conseguido alcançar o piso, projetando o corpo para o fosso.
Fiscalização das Empresas
O estudo para instalação de elevadores e manutenção dos mesmos é
feito pelas empresas que prestam o serviço. O Conselho Regional de
Arquitetura e Urbanismo é responsável por fiscalizar se estas empresas
possuem a documentação necessária para tal serviço.
Segundo Fernando Leitão, engenheiro mecânico e diretor
institucional do CREA, as empresas precisam ser registradas no órgão e
ter ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) para prestar a instalação
dos equipamentos.
Ainda de acordo com Fernando Leitão, o CREA é responsável apenas
por fiscalizar a documentação técnica das empresas prestadoras do
serviço de instalação elevadores. Ou seja, não cabe ao órgão vistoriar a
execução do serviço.
Ele explica que em Natal existem aproximadamente 50 empresas
habilitadas para realizar a instalação e manutenção de elevadores.
Entretanto, apenas no primeiro quadrimestre de 2016, 895 empresas
receberam autos de infração por prestarem o serviço sem a ART. Nestes
casos a multa é de R$ 589,64 tanto para pessoa física como para pessoa
jurídica pela falta do documento.
Fernando Leitão afirma ainda que as empresas tem a obrigação de
fazer um teste de frenagem dos elevadores a cada 90 dias. Os demais
testes têm sua periodicidade determinada pelo fabricante do aparelho.
Entretanto, ele não soube afirmar se existe algum órgão público que
fiscalize a freqüência destas manutenções.
Apesar das brechas na análise dos dados e da falha na fiscalização,
tanto Fernando Leitão quanto o Sargento Douglas acreditam que estamos
seguros nos elevadores de Natal. “Os condomínios precisam estar atentos as normas e tomar cuidado ao
contratar empresas para instalação e manutenção de elevadores. Também
aconselhamos que façam um livro de ocorrências para registrar todos os
casos de acidentes. De modo geral acredito que estamos seguros, pois os
acidentes não costumam ser graves e os números não são tão altos”,
finaliza o diretor institucional do CREA.

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