A adolescente de 16 anos que foi vítima
de estupro coletivo no Rio afirmou neste domingo, 29, em entrevista ao
Fantástico, da TV Globo, que está recebendo ameaças pela internet e que
se sentiu desrespeitada na delegacia onde prestou dois depoimentos. “Quando vim à delegacia, não me senti à
vontade em nenhum momento. Acho que é por isso que as mulheres não fazem
denúncias”, disse a adolescente. Ao explicar o que aconteceu na
delegacia, a jovem afirmou: “Tentaram me incriminar, como se eu tivesse
culpa por ser estuprada”.
A adolescente reclamou da exposição
durante o depoimento e da indiscrição dos policiais. Segundo ela, ao ser
interrogada, havia três homens dentro da sala, incluindo o delegado
Alessandro Thiers, então encarregado do caso.
“A sala era de vidro e todo mundo que
passava via. Ele (o delegado) botou na mesa as fotos e o vídeo, assim,
expostos e me falou: ‘Conta aí’. Não perguntou se eu estava bem, como
estava me sentindo, se tinha proteção. Ele perguntou se eu tinha o
costume de fazer isso (sexo grupal), se gostava de fazer isso.” A
adolescente afirma que, a partir desse momento, não respondeu mais às
perguntas. Nenhum representante da polícia do Rio foi encontrado para
comentar as declarações.
Ameaças. Durante a
entrevista, a jovem também afirmou que está recebendo ameaças e sofrendo
intimidação. “Não posso sair de casa para nada. No Facebook, quando eu
entrei, tinha mais de mil mensagens. Tinha gente de Minas Gerais dizendo
que ia me matar. Falaram que se eu fosse em alguma comunidade, ia
morrer.”
Em entrevista ao programa Domingo
Espetacular, da TV Record, ela reiterou que o estupro coletivo
aconteceu. A jovem confirmou ter ido a um baile e, em seguida, para a
casa de um ex-namorado, onde dormiu. Quando acordou, já estava sendo
violentada. Mesmo “gritando e chorando”, disse, os rapazes não paravam. “Acordei em um ambiente diferente, com
um homem embaixo de mim, um em cima, dois segurando na minha mão. Várias
pessoas rindo de mim e eu dopada. Vou morrer. Pronto, acabou, pensei.”
A jovem relatou ter contado ao menos 28 rapazes no ambiente, muitos deles armados. “Era uma casa abandonada, só tinha uma
cama, nem lençol tinha, uma geladeira e uma cômoda”, disse. Contou ainda
desconhecer os homens que a violentaram e disse só reconhecê-los “de
vista”. O ato só terminaria dez minutos depois de ela ter recuperado os
sentidos, quando um amigo teria entrado no local e pedido que parassem.

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