G1 - A 20ª edição Parada do Orgulho LGBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transsexuais) neste domingo (29) na capital paulista, foi aberta às 13h10 com uma multidão ouvindo as palavras da Drag Queen Tchaka, que fez a apresentação do evento no primeiro dos 17 trios que desfilam este ano.
Com o tema Lei de Identidade de Gênero Já! Todas as pessoas contra a transfobia, a parada desenvolveu a ideia de dar visibilidade ao segmento T, ou seja, travestis, mulheres e homens transsexuais, com foco na luta pelos direitos civis e por menos preconceito da sociedade. Os trios saíram da Paulista no sentido Rua da Consolação. O show de encerramento está previsto para esta noite no Vale do Anhangabaú.
O tema desta edição foi "Lei de identidade de gênero, já! - Todas as pessoas juntas contra a Transfobia!”. Os caminhões de som levaram uma bandeira com a letra T, em referência às mulheres transexuais, homens trans e travestis.
Segundo a organização do evento, o objetivo foi fazer uma grande mobilização para que a “Lei de Identidade de Gênero”, seja aprovada. O evento foi oficialmente aberto às 13h10. Com apresentação da Drag Queen Tchaka, o primeiro trio da 20ª edição da Parada do Orgulho LGBT foi o primeiro a deixar a Avenida Paulista rumo à Consolação.
Os organizadores estimaram um público de 2 milhões de pessoas na Parada Gay este ano. A PM afirmou que no horário de pico (15h15) o evento teve 190 mil pessoas. No final da tarde, a PM prendeu três suspeitos na Rua da Consolação. Dois foram detidos por furto de celular, e um por dar uma garrafada na cabeça de um policial militar.
Novo protesto
Viviany Beleboni, de 27 anos, cumpriu a promessa e subiu em um dos 17 trios elétricos da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) em São Paulo com uma fantasia que fazia referência a mais um símbolo religioso, uma representação da Bíblia. A fantasia também trazia as palavras "bancada evangélica" e "retrocesso", na crítica de Viviany aos deputados que no ano passado criticaram a atitude da transexual em desfilar 'crucificada'.
A transexual manteve-se concentrada em sua apresentação sobre o trio. A representação da Bíblia abria e fechava, mostrando notas de dólares na parte de trás. No chão, o público aplaudia e acenava para Viviany. O trio elétrico que ela desfilava trazia uma faixa "Fora Temer bem à frente".
VEJA FOTOS DA PARADA GAY
Entre os primeiros participantes a chegar estava Daniela Marquezine, de 27 anos, que participa pela quinta vez da Parada LGBT e pela primeira vez no Trio das Trans. "Eu espero mostrar que somos iguais a todos, que merecemos respeito e dignidade", afirma. "Eu espero que seja uma festa linda, que reconheçam que somos meninas de trabalho, de vida digna. Tratam a gente como objeto, mas somos mais que do que isso. Queremos o nosso espaço na sociedade", afirmou.
Danielli, que escreveu em um cartaz: 'Se você acha que a culpa é da vítima, o 34º [estuprador] é você' (Foto: Glauco Araújo/G1).
A Parada do Orgulho LGBT também foi palco de protestos. Alguns participantes levaram faixas e cartazes contra o presidente da República em exercício, Michel Temer (PMDB), pedindo a saída dele do cargo.
Em outros momentos, os participantes fizeram discursos no carro de som contra a intolerância citando o estupro da adolescente de 16 anos ocorrido no Rio de Janeiro. O caso rendeu até cartazes mais radicais colados ao longo do trajeto e sem autoria definida. Neles, havia os dizeres "homens mortos não estupram" e a reprodução de duas armas de fogo.
A atriz Danielli Cristine, de 29 anos, também levou o tema do estupro para a parada. "Trinta e três pessoas pintaram meu corpo de vermelho para lembrar o caso da menina no Rio de Janeiro", afirmou. Em um cartaz, ela criticava quem defende que a garota estuprada no Rio tem responsabilidade sobre o que aconteceu.
Mesmo após diversas ações e ameaças de morte, a transexual crucificada na Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de 2015, Viviany Beleboni, 27, desfila neste domingo vestida com mais um símbolo religioso, uma representação da Bíblia.
Viviany diz que não tem receio de causar repercussão negativa entre os religiosos com sua nova fantasia. “Não tenho medo, quem tem medo é covarde”, afirma. Em 2015, ela abriu processo contra o Facebook para obrigar a rede social a identificar usuários que, após o desfile, publicaram montagens de fotos dela em meio a imagens de sexo explicíto.
Ela também abriu sete processos em que reivindica indenização por danos morais no valor total de R$ 800 mil. Uma delas foi negada. A fantasia é composta por duas balanças que representam a Justiça e uma 'Bíblia' com as palavras “bancada evangélica” que cobre o rosto de Viviany.
O objetivo é mostrar como a bancada evangélica no Congresso Nacional impede projetos de lei em prol da comunidade LGBT e da identidade de gênero, tema da Parada Gay 2016. No último dia 18, deputados de dez partidos apresentaram projeto para suspender o direito de transexuais e travestis a usarem seu nome social nos órgãos públicos do governo federal, direito concedido pelo governo Dilma Rousseff, em abril.
Segurança e Atendimento Saúde
Oito ambulâncias de remoção, quatro postos médicos, 30 brigadistas, 200 seguranças, 180 cordeiros e 780 banheiros químicos cedidos pela Prefeitura acompanham a Parada do Orgulho LGBT. Policiais militares, policiais da delegacia de polícia de repressão aos crimes raciais e delitos de intolerância (Decradi), bombeiros civis, cordeiros para os trios também estão presentes.

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