Foto: Reprodução / La Gazzetta dello Sport
Por Luiz Fernando Teixeira - A vinda de um centroavante com passagem pela Seleção Brasileira para
disputar o campeonato baiano é um sonho inimaginável para a maioria dos
clubes do estado, com exceção de Bahia e Vitória. Há 20 anos, porém, a
Associação Atlética São Francisco[1]
assinou com Walter Casagrande para a disputa do Baianão de 1996, em uma
negociação que pegou muitos de surpresa. Afinal de contas, após viver o
auge com as camisas de Corinthians, São Paulo, Flamengo, Porto (POR) e
Torino (ITA), Casão havia pendurado as chuteiras após atuar pelo Lousano
Paulista, em 1995. ”Eu não estava mais jogando quando fui procurado
pelo clube, mas treinava forte diariamente porque gostava.
O contato foi
feito através de uma pessoa ligada ao prefeito da cidade”, disse o
ex-atacante e agora comentarista Casagrande, ao Bahia Notícias. À época,
ele já lidava com problemas no joelho que o atormentaram na segunda
metade da carreira, mas mesmo assim foi apontado como a peça que faltava
para que o São Francisco, então campeão da segunda divisão do Baianão,
se firmasse na elite estadual. Mesmo assim, Casagrande estava sereno em
campo. ”Não me senti pressionado. Eu tinha muita experiência, tinha
jogado oito anos na Europa, uma Copa do Mundo, tinha acabado de jogar no
Flamengo e voltado ao Corinthians”, relembrou o atacante.
Casagrande, entre Sócrates e Careca, na Copa do Mundo de 1986, no México | Foto: Divulgação.
A estreia foi dos sonhos. No dia 10 de março, última rodada da primeira
fase do torneio, foi dele o gol do empate no jogo contra o Ypiranga, em
pleno estádio Junqueira Ayres – a essa altura do campeonato, o clube da
Região Metropolitana de Salvador já havia vencido Bahia e Conquista,
sido derrotado por Catuense, Jequié e River e empatado com a Jacuipense.
“A estrutura do clube era precária, havia o estádio que era legal, mas
não havia outras coisas”, relembrou o centroavante. Casagrande ainda
entrou em campo uma segunda vez pelo São Francisco, contra a Catuense, e
então deixou o clube menos de um mês após a estreia.
“Não houve atrito
nenhum na minha saída. Eu estava morando sozinho em Salvador e a minha
mulher estava em São Paulo com os meus três filhos e eles eram pequenos,
então ela me pediu para voltar para ajudá-la e também porque eles
estavam sentindo a minha falta. Eles [os dirigentes do São Francisco]
sempre me trataram muito bem, nunca atrasaram os pagamentos e não tive
nenhum problema de relacionamento com ninguém”, declarou o comentarista.
Apesar da passagem relâmpago, em que não teve nem a oportunidade de
jogar na Fonte Nova ou contra Bahia e Vitória, Casagrande considerou sua
passagem pelo São Francisco como “boa” – foi a única experiência dele
fora da região sudeste no futebol brasileiro, após defender Caldense,
Corinthians, São Paulo e Flamengo. O gol contra o Ypiranga foi o último
dos 218 que marcou em sua carreira como profissional, que contou com a
artilharia do Campeonato Paulista de 1982, além de títulos com a camisa
do Corinthians, do Porto (POR) e do Torino (ITA), e uma participação na
Copa do Mundo de 1986, pela Seleção Brasileira. Já o São Francisco, após
algumas boas campanhas no final da década de 90, caiu de rendimento e
não retornou à elite do Campeonato Baiano nos anos 2000.
A Associação Atlética São Francisco não tem relação com o São Francisco
Esporte Clube, que tem um time de futebol feminino que conquistou 13
títulos estaduais a partir dos anos 2000, além de duas Copas Nacionais.

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