Em uma via movimentada de Sorocaba (SP),
um vendedor de melancias usa cartazes para oferecer um bônus inusitado
aos possíveis clientes: se a fruta não for de boa qualidade, ele devolve
o dinheiro e ainda paga 10% do valor gasto pelo comprador com o
produto. Segundo o dono do negócio, Maciel Domingos da Silva, 32 anos,
os anúncios do tipo “Melancia com garantia” e “Devolvo o dinheiro e mais
10% se não prestar” não são apenas uma jogada de marketing, como também
uma maneira de reiterar a qualidade do produto.
“Vendo as frutas assim porque confio na
qualidade. As melancias são doces e frescas. E quem encontrar algum
defeito, pode sim me trazer de volta. Meus produtos são diferenciados.
Poucos devolveram até hoje. Elas saem com garantia”, diz o sorocabano,
que realiza as vendas no local há sete anos.
De acordo com ele, a qualidade das
melancias vem das lavouras do Rio Grande do Sul e de Goiás. As frutas
são adquiridas por meio da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de
São Paulo (Ceagesp) em Sorocaba e o valor da revenda por unidade varia
entre R$ 15 e R$ 20.
Cartazes chamam a atenção de motoristas em Sorocaba.
(Foto: Emilio Botta )
Ajudante de Silva desde o início do negócio, Eudices Souza Lima, de 58 anos, afirma que o preço é compatível com os gastos. "A diferença de preço depende do tamanho da fruta. E a qualidade é garantida. Se vier passada ou aguada, a gente troca por outra, sem problemas", diz. Neste caso, para ter certeza da procedência, os vendedores colocam um carimbo.
O proprietário conta ter vendido, somente no final do ano passado, quase 300 melancias por dia. Porém, não saem mais que 160 frutas diariamente. Além desse ponto, Silva tem outros dois locais de venda na cidade: um no bairro Herbert de Souza e outro na avenida Independência.
Eudices abriu mão de ser caminhoneiro para se dedicar à venda
das melancias (Foto: Emilio Botta ).
É com o lucro desses negócios que Silva afirma dar uma vida confortável
para a mulher, Elaine, e a filha do casal, Letícia, de 9 anos. "Sou o
primeiro da família a ser comerciante e não me arrependo, mesmo em
períodos de crise. Só penso em expandir os negócios", destaca. Lima, que
deixou o emprego de caminhoneiro para se dedicar as vendas, concorda
com a ideia. "O lucro dá para a gente levar uma vida digna. Só tende a
melhorar."
Do G1

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