As
infecções respiratórias são as principais responsáveis pela morte de
crianças e adolescentes no mundo, segundo um estudo inédito divulgado
ontem na revista Jama Pediatrics, da Associação Médica Americana. Pela
primeira vez, pesquisadores fizeram um recorte infantojuvenil do
relatório Carga global de doenças, publicação que sintetiza os óbitos
mundiais ano a ano.
O levantamento indicou que, em 2013 (de quando são os dados mais
recentes), 7,7 milhões de meninos e meninas de até 19 anos morreram. A
maior concentração de óbitos está na primeira infância: 6,28 milhões de
mortes ocorreram na faixa etária de 0 a 5 anos. O ranking é liderado
pelo Japão, com o menor número de mortes infantojuvenis,
proporcionalmente. O Brasil aparece em 19º, atrás de países como Irã,
México e Venezuela.
Os autores do estudo, da Universidade de Washington, destacaram a
necessidade de se investigar as causas de morte de crianças em uma faixa
mais ampla da que costuma aparecer em levantamentos epidemiológicos. “A
literatura atual foca nas taxas de mortalidade e nas tendências ano a
ano entre crianças com menos de 5 anos, havendo pouca informação de
comparação sobre doenças entre crianças mais velhas e adolescentes.
Crianças e adolescentes constituem cerca de um terço da população
mundial e seu status de saúde é importante para cada país e sociedade”,
escreveram no artigo. De acordo com eles, os dados apresentados agora
devem fornecer ferramentas para políticas públicas em países onde a
mortalidade infantojuvenil ainda é alta. Das 188 nações investigadas, 50 concentram mais de 70% da população de
até 19 anos; por isso, o relatório foi feito apenas com os dados desses
países.
Os números refletem a desigualdade entre o mundo desenvolvido e
em desenvolvimento, com diferenças ainda mais acentuadas em relação à
África e à Ásia. Enquanto no Japão, onde há a menor incidência de óbitos
infantojuvenis, houve 25,9 mortes em cadas 100 mil crianças e
adolescentes em 2013, na Nigéria, nação com o pior cenário, foram 856,7
ocorrências.
O país africano, aliás, também é recordista nos óbitos por
doenças infecciosas do trato respiratório (concentra 12% do total
mundial) e malária (38%). Com Índia, República Democrática do Congo,
Paquistão e Etiópia, a Nigéria registrou metade de todas as mortes por
enfermidades associadas à diarreia.
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