Neymar, um dos três melhores jogadores do mundo em 2015, pode ser
indiciado na Espanha por corrupção. Nesta sexta-feira, a procuradoria em
Madri pediu que o jogador seja interrogado na condição de indiciado por
"crimes de corrupção" envolvendo sua contratação pelo Barcelona. O
procurador José Perals também pediu à Justiça espanhola que o pai do
jogador seja interrogado como indiciado, além dos dirigentes do
Barcelona e dois ex-presidentes do Santos, Odilio Rodríguez e Luis
Alvaro de Oliveira. Uma decisão pode ser anunciada nos próximos dias,
com o juiz da Audiência Nacional definindo se aceita o pedido do
procurador. Pela lei, uma eventual condenação máxima poderia resultar em
uma prisão de oito anos pelos dois crimes, ou uma multa milionária.
A
iniciativa é resultado do processo aberto pela empresa DIS, que
gerenciava parte dos direitos sobre Neymar quando o brasileiro ainda
atuava pelo Santos. O Tribunal na Espanha já havia aceito o processo,
que ainda aponta para a manipulação de contratos. A queixa tinha, como
origem, a divisão do pagamento que o Barcelona deveria realizar na
compra do jogador.
Para a DIS, ela deveria receber 40% do dinheiro que o clube catalão ou
qualquer outro gastaria no jogador. Mas a empresa insiste que apenas
recebeu 17,1 milhões de euros do Barcelona. As investigações na Espanha
acabaram revelando que o valor real pago por Neymar chegou a 83 milhões
de euros, o que acabou sendo confirmado pelo Barcelona e levado à queda
de sua diretoria. Mas 40 milhões de euros teriam ido para Neymar por
meio de "contratos simulados". Para a DIS, uma negociação transparente
com outros clubes teria gerado mais dinheiro para a empresa que, ao não
saber de outros contratos de Neymar com o Barcelona, considera que foi
lesada financeiramente.
Na Espanha, o tribunal já pediu os documentos
sobre as negociações que ocorreram para a compra de Neymar pelo Real
Madrid, Chelsea, Bayern de Munique ou pelo Manchester City. Todos esses
clubes mandaram ofertas ao Santos, a Neymar ou a seu pai entre 2009 e
2013. O caso ainda gera um processo separado contra os dirigentes do
Barcelona, acusados de delito fiscal. Por tais crimes, a procuradoria
pede até sete anos de prisão ao ex-presidente do clube, Sandro Rosell,
além de multas de 25 milhões de euros. Na próxima segunda-feira, Neymar
estará em Zurique no evento de gala para a entrega da Bola de Ouro da
Fifa. Ele é, pela primeira vez, um dos três finalistas do prêmio de
melhor do mundo. (Estadão)

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