O presidente nacional do PT, Rui Falcão, diz em seu editorial semanal que a carta aberta de criminalistas apontando "exageros" na Operação Lava Jato
é "mais uma denúncia relevante" sobre os "desmandos perpetrados" pela
força-tarefa. A ação já prendeu vários petistas, entre eles o
ex-tesoureiro João Vaccari Neto, o ex-ministro José Dirceu e o senador
Delcídio Amaral, e investiga suspeita de abastecimento de campanhas
petistas com dinheiro desviado da Petrobrás.
Segundo Falcão, o fato de que vários signatários defendem presos pela
operação não tira o mérito do documento, que foi divulgado na semana
passada como "informe publicitário" nos principais jornais do País. O
texto repudia a "supressão episódica de direitos e garantias" que
estaria sendo praticada na Lava Jato.
Para o dirigente petista, o combate à corrupção e aos seus
praticantes não pode "servir à violação de direitos, nem tampouco para
fragilizar a democracia, tão duramente conquistada". "É preciso
vigilância e luta aberta contra este embrião de Estado de exceção que
ameaça crescer dentro do Estado Democrático de Direito", afirma Falcão.
No texto publicado nesta segunda-feira, 18, na Agência PT,
Falcão critica a publicação de fotos de réus "em uma semanal da imprensa
marrom", no fim de semana. Para o petista, as fotografias,
provavelmente extraídas de prontuários, serviriam para "promover-lhes o
enxovalhamento e instigar a opinião pública", disse, citando o texto dos
criminalistas.
Falcão afirma que exigem resposta das autoridades as denúncias
dos "exageros das delações forçadas, dos vazamentos seletivos de
informações, ao excesso das prisões preventivas, para a
espetacularização dos julgamentos, às restrições ao direito de defesa e
ao trabalho dos advogados".
A
Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) repudiou o
conteúdo da nota dos advogados, apontando acusações genéricas, e
defendeu a atuação da força-tarefa, que há quase dois anos vem investigando um esquema de corrupção bilionário dentro da estatal petrolífera.(Estadão)


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