A minuta do decreto que vai regulamentar o Marco Civil da Internet no
país foi apresentada nesta quarta-feira (27), em Brasília, pelos
ministros da Justiça, José Eduardo Cardoso, das Comunicações, André
Figueiredo, e da Cultura, Juca Ferreira. O texto, que será novamente
submetido à consulta pública, estabelece princípios, garantias, direitos
e deveres para o uso da rede no Brasil.
Até o dia 29 de fevereiro, os interessados poderão apresentar sugestões – na páginawww.marcocivil.mj.gov.br –
sobre mudanças na redação ou no conteúdo, além de concordar ou
discordar das contribuições de outros participantes. Segundo a
Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, o prazo
poderá ser estendido, se houver necessidade. O texto já passou por
processos de consulta pública no ano passado.
A minuta está dividida em quatro capítulos, sendo um deles dedicado
às definições de exceções à neutralidade da rede, especificando o que
são requisitos técnicos indispensáveis à prestação adequada de serviços e
aplicações. Outro capítulo trata da proteção ao registro, aos dados
pessoais e às comunicações privadas. Outra parte se refere à
fiscalização dos temas trazidos pelo Marco Civil da Internet.
Demora
Sobre
a demora na regulamentação da norma, quase dois anos depois de sanção
da presidenta Dilma Rousseff, em abril de 2014, os ministros destacaram
que a causa é a importância do envolvimento da sociedade na elaboração
da lei, por meio das consultas públicas. De acordo com cronograma
divulgado pelo Ministério da Justiça, ainda não há previsão para a
publicação do decreto.
Quando a consulta for encerrada, as contribuições
dos internautas serão enviadas à Casa Civil, que vai adequar o texto e
encaminhá-lo à Presidência da República. O ministro da Cultura
lembrou que, no entanto, a regulamentação da lei que regula o uso da
internet não vai acabar com as discussões sobre o assunto. “A velocidade
das transformações tecnológicas não vai parar. Essa regulamentação terá
que ser atualizada periodicamente”, disse Juca Ferreira.
Polêmica
Perguntado se regras para a
utilização de serviços como Whatsapp, Facebook, Netflix, estarão no
decreto, o ministro das Comunicações, André Figueiredo, disse que o
Brasil é um exemplo de proatividade na discussão do tema, que
classificou de "muito caro" internacionalmente. “Esse é um tema de
complexidade monstruosa.
Saber se vai tarifar e como vão ser tratados
alguns serviços claramente presentes na vida do povo brasileiro e da
população mundial, como Facebook, Whatsapp, Google, Netflix, são
questões que merecem um debate mais profundo”, disse. Ele destacou que
não há consenso no mundo sobre o tema, mas que o Brasil pode ser
protagonista nisso.
O ministro afirmou ainda que uma nova
proposta de marco regulatório das telecomunicações, que vai complementar
o Marco Civil da Internet, será enviada ao Congresso Nacional.
Da Agência Brasil
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