Em pleno sertão do Cariri cearense, Pedro Lucas Feitosa, de apenas 10 anos criou o seu próprio museu dedicado ao rei do baião. Após uma visita ao “Museu do Gonzagão”, na cidade de Exu, Pernambuco, em 2013, Pedro Lucas encantou-se pelo espaço e resolveu construir o seu próprio lugar de exposição.
Ainda pequeno, o garoto ganhara de uma tia, um dvd com as principais músicas do cantor nordestino, o qual ouvia diariamente. A inspiração veio com a música “Numa sala de Reboco”, composição do músico com o poeta José Marcolino.
Depois disso, Pedro Lucas resolveu transformar a casa da bisavó, já falecida, num espaço que intitulou de “Museu de Luiz Gonzaga”. O nome foi escrito à mão num pedaço de madeira. Todo o acervo é dividido em alas, com destaque para o local onde fica uma sanfoninha de brinquedo em meio a sandálias de couro, e fotografias do cantor, que Pedro faz questão de afirmar que se trata de uma “representação do rei do baião e todas as suas músicas”. A mala, por exemplo, retrata “a vida do viajante”, enquanto a sanfona faz a vez da música “Sanfona do povo”, sem contar a sandália de couro, que nunca acaba.
Vindo de uma família de agricultores, Pedro Lucas é criado pelas avós, maiores incentivadores. Antonio Feitosa, de 55 anos, disse ter ficado surpreso com a ideia do filho. “Eu achava que um menino da idade dele num dava certo pra essas coisas, nunca achava que ia dar certo, porque os meninos de hoje quer é saber das coisas modernas de hoje, e ele se inspirar logo num homem que nem Luiz Gonzaga, num rei”. Orgulhoso, o avô ressalta os méritos do garoto nos estudos: “Sempre passa por média”. O sentimento é divido com a esposa, Maria Salete de Souza, de 50 anos. Ela afirma, exigente, que o estudo vem primeiro e só depois o neto pode brincar. Para a agricultora, “é melhor ele tá brincando no museu do que na rua”.
“Eu espero que ele melhore e tenha um futuro melhor, né? Através desta arte, porque é o que ele mais gosta”, afirma. De acordo com Ricky Seabra, diretor do Museu de Arte Vicente Leite de Crato, o museu de Pedro Lucas demonstra que o esforço de se criar e de se manter um museu não advém do trabalho de técnicos, mas sim da paixão e voluntariado. Os grandes museus do mundo começaram pequenos com pessoas que entendem o valor de preservar e compartilhar histórias. A paixão de Pedro Lucas pelo que faz é contagiante. Seabra, afirma não ficar surpreso se no futuro, o espaço se tornar o maior e mais rico museu do Cariri.
Sonhos
A rotina do garoto, que vai cursar o sexto ano do ensino fundamental, além de estudar, é toda dedicada ao museu. Se para alguns é brincadeira, para o jovem o trabalho é “levado a sério”. Questionado se prefere brincar de bola ou cuidar do museu, o menino não titubeia: “cuidar do museu”, ele diz. No entanto, como toda criança de sua idade, Pedro Lucas, possui sonhos:também quer ter uma sanfona como de seu Luiz e aprender a tocá-la, conhecer alguns cantores e seguir a profissão de museólogo. “Meu futuro é ser museólogo, para incentivar mais as pessoas pra saber como era antigamente”, ele finaliza. O espaço dedicado a Luiz Gonzaga, em Dom Quintino, funciona de segunda a domingo das 8 às 17h. Está localizado à Rua Alto da Antena, nº 69, distrito Dom Quintino, na cidade de Crato.
Fonte: Sertão Alerta

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