Os cálculos indicam que todas as usinas termelétricas, que produzem eletricidade mais cara, poderão ser desligadas no próximo mês, com a exceção das nucleares –por questões técnicas elas não podem parar de funcionar– e de algumas no Nordeste. Como consequência, a cor da bandeira tarifária (encargo adicional que encarece a conta de luz) poderia mudar para verde a partir do próximo mês. Essa alteração anularia o encargo adicional que é cobrado hoje.
Atualmente, a cor da bandeira é vermelha, que eleva o custo para o consumidor em R$ 45 por MWh (megawatthora). Essa arrecadação extra é direcionada para o pagamento das térmicas. Isso ajudou a encarecer a conta de luz que, de um modo geral, subiu 51,3% nos 12 meses encerrados em novembro, segundo o IBGE. Segundo a Folha apurou, no entanto, o alívio no bolso dos consumidores não deve ser imediato: o impacto tende a ser gradual, ao longo do primeiro semestre.
CÁLCULOS
As projeções feitas pela CCEE estabelecem estimativas para o valor do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que define o valor máximo do custo da geração. Em 2015, o PLD deve ficar em média a R$
30 por MWh, o valor mínimo. Apenas para o Nordeste o valor não atinge o
piso –a média fica em R$ 100 por MWh.
A CCEE fez também uma segunda projeção,
baseada na pior hidrologia já registrada. Mesmo assim, a bandeira verde
poderia ser adotada a partir de abril.
Até então, a bandeira amarela, que adiciona um encargo intermediário, de R$ 25 por MWh, deveria estar em vigor.
Nesse caso, a redução média seria de 4%.
A mudança de cores, que só poderá ser
feita após as projeções serem confirmadas e aprovadas pelo ONS (Operador
Nacional do Sistema) e pela Aneel (Agência Nacional de Energia
Elétrica), seria a primeira desde quando o sistema das bandeiras passou a
ser calculado, há dois anos.
Apesar de o PLD ser o valor de
referência da energia e estabelecer o teto do custo de produção, o ONS e
a Aneel podem exigir a operação de usinas mais caras. Os órgãos possuem essa prerrogativa por serem responsáveis pela manutenção da segurança energética. Desde o ano passado, as termelétricas
mais caras estão sendo utilizadas para que o país não enfrente um
cenário de escassez de energia.
Apesar do custo maior, essas usinas
ajudam na recomposição do nível dos reservatórios. É exatamente o caso
do Nordeste. Atualmente, o ONS mantém térmicas em operação com custo de
geração superior a R$ 700 por MWh, a fim de garantir o abastecimento da
região. A expectativa é que a bandeira verde só seja adotada depois de afastada a crise hídrica nordestina. A cor da bandeira de fevereiro deverá ser decidida pela Aneel em 29 de janeiro.
Veja a Fonte na íntegra no site Folha de S.Paulo

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