Foto: shutterstock
A nutricionista Bárbara Cardoso, 31 anos, doutora em Nutrição
Experimental, descobriu que a castanha-do-brasil (mais conhecida como
castanha-do-pará) ajuda a melhorar o desempenho cognitivo de pacientes
com Alzheimer. Bárbara estuda os efeitos do mineral selênio na prevenção do Mal de
Alzheimer e o selênio está presente em grande quantidade na
castanha-do-pará. Com sua pesquisa, Bárbara venceu o Prêmio Jovem Cientista de 2015, na categoria Mestre e Doutor.
Como
Para demonstrar como o selênio pode atuar no combate ao Alzheimer, é
preciso entender o estresse oxidativo – processo diretamente ligado às
doenças neurodegenerativas. Quando os nutrientes dos alimentos são transformados em energia pelo
organismo, essa ação gera radicais livres que podem danificar células
sadias. Em condições normais, o corpo consegue controlar o nível destes
radicais. Com o avanço da idade, porém, o sistema antioxidante fica
menos efetivo. Como consequência, o estresse oxidativo afeta as sinapses, a
neurotransmissão, a circulação e o metabolismo e, assim, os sistemas
motor e sensorial, a memória e o aprendizado também ficam comprometidos.
Uma das características do Mal de Alzheimer é justamente o estresse
oxidativo e o selênio desempenha função essencial como constituinte de
enzimas antioxidantes, exercendo importante papel na manutenção das
funções cerebrais.
Resultado
No início do estudo e após os seis meses, todos os participantes foram
submetidos a uma bateria de testes cognitivos, conduzidos por um
neuropsicólogo, e a uma coleta de sangue para avaliar todos os
parâmetros bioquímicos. “Comprovar que o desempenho dos participantes nos testes cognitivos
melhorava após a intervenção foi muito motivador. Foi uma alegria muito
grande ver que a intervenção alimentar tinha efeito clínico, além de
melhorar a deficiência de selênio”, revela a pesquisadora.
Atualmente, Bárbara dá continuidade à pesquisa no The Florey Institute
of Neuroscience and Mental Health, o centro de pesquisa neurológica da
Universidade de Melbourne, na Austrália. “Pretendo continuar estudando a relação do selênio e de outros minerais
nas doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer. Faz parte do meu
plano realizar parcerias com laboratórios com expertise na área, para
que consigamos avançar em benefício da população”.
Bárbara Rita Cardoso – Foto: Divulgação/Prêmio Jovem Cientista
Pesquisa
Durante o Mestrado na Universidade de São Paulo (USP), Bárbara avaliou o
estado nutricional em relação ao selênio em idosos com Doença de
Alzheimer e observou que esses pacientes apresentavam uma deficiência
muito grave do mineral. “A partir disso, decidimos fazer a intervenção com a castanha-do-brasil,
a fonte de selênio mais importante em pacientes que, embora não
tivessem Alzheimer ou outro tipo de demência, já tinham alterações
cognitivas, o que representa um risco maior de desenvolver essas
doenças”, explica. “Pacientes com Declínio Cognitivo Leve não vão necessariamente
desenvolver outras enfermidades, mas a chance de que evoluam para o
Alzheimer, por exemplo, é de 40%”, diz.
Durante seis meses, dois grupos de idosos foram estudados: um consumia
uma unidade de castanha-do-brasil por dia e o outro não fazia uso de
nenhum suplemento alimentar. “Recrutamos idosos que frequentavam o Ambulatório de Memória do Idoso,
em São Paulo, e que eram diagnosticados com Comprometimento Cognitivo
Leve. Os participantes eram divididos aleatoriamente, por sorteio, entre
o grupo controle, que não recebeu nenhuma intervenção, e o grupo que
recebeu a castanha. Esse grupo ganhava pacotinhos com 60 castanhas a
cada dois meses, assim controlávamos a adesão à pesquisa”, conta.
Com
informações da Época

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