O
Governo do Estado solicitou ao Ministério da Integração R$ 15 milhões
em recursos para a distribuição de forragem e torta para o gado
potiguar. Com a perspectiva de nova frustração da safra do ano,
restrições à irrigação e possibilidades de mais um ano de seca em 2016, a
distribuição é um “socorro” necessário aos agropecuaristas, segundo a
Secretaria Estadual de Agricultura e Pesca. A solicitação foi feita ao
ministério na última sexta-feira (26) e ainda não passou por análise,
mas a necessidade, segundo o Estado, é de que a forragem entre em
circulação a partir de agosto.
Hoje
(1º), entra em vigor a resolução conjunta nº 640, da Agência Nacional
de Águas (ANA), Instituto Gestor de Águas do RN (Igarn) e Agência
Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), que suspende a
irrigação na margem do Rio Piranhas-Açú, no trecho de 160 quilômetros
entre Coremas, na Paraíba, e Jucurutu (RN). A suspensão afeta a economia
seridoense, que tem como um dos seus sustentadores a pecuária leiteira.
A medida abrange 1,6 mil irrigantes que atuam no trecho, dos quais mais
da metade é pequeno produtor.
A
suspensão ocorre por tempo indeterminado, e é justificada pelo nível
crítico do reservatório Curemas, que chegou a 20,2% da sua capacidade,
segundo medição do dia 22 de junho. O açude, localizado na Paraíba, é
responsável pela perenização do Rio Piranhas. Entretanto,
com as restrições à irrigação no Seridó, a pecuária leiteira poderá ser
afetada, uma vez que sem a irrigação falta o capim. De acordo com o
Sindicato dos Produtores de Leite do RN (Sinproleite), a bacia leiteira
estadual já registrou queda de até 50% da produção nos últimos quatro
anos de estiagem. Hoje, a média produzida não chega a 400 mil litros de
leite. Além de alimentar as queijeiras, o produto também é destinado ao
Programa do Leite do Governo do Estado e distribuído para a população
carente. Há relatos de que alguns produtores estariam abatendo vacas
leiteiras por não terem como vender o gado ou manter a produção após o
corte.
De
acordo com o secretário de agricultura, Haroldo Abuana Osório, foi
solicitado ao Ministério da Integração recursos de R$ 14,995 milhões
para a compra de 833 mil sacos de forragem, cada um com 25 quilos, e
62,5 mil sacos de torta de algodão, cada um com 50 quilos. A ração,
segundo Abuana Osório, será distribuída entre dos 153 municípios que ora
integram o decreto de emergência da seca no RN, e posto para
distribuição nos dez galpões da Empresa de Assistência Técnica e
Extensão Rural do RN (Emater). “A perspectiva é que a ração mantenha o
gado até o próximo inverno, em março de 2016”, diz ele. Entretanto, a
compra do material depende da liberação do recurso, mas a solicitação
“ainda não chegou ao setor técnico responsável”, segundo o Ministério da
Integração.
Para
o secretário geral da Federação dos Trabalhadores da Agricultura
(Fetarn), Francisco de Assis Araújo, a restrição cria tanto um problema
para o produtor quando para o produtor rural. “Jardim (de Piranhas) é
uma bacia importante, vai ter uma significativa perda da produção de
leite e também da carne. Sem ração, o produtor não pode criar gado para
abate”, justificou. Um dos pleitos da Fetarn é pelo retorno do milho
subsidiado da Companhia Nacional da Abastecimento (Conab). O programa de
Venda em Balcão retornou, mas sob o preço de R$ 37,20 o quilo. No ano
passado, a saca era comercializada a R$ 18,10 para o pequeno produtor.
“É quase o mesmo preço do saco normal, que é R$ 44”, acrescentou Araújo.
De
acordo com a Sape, o Estado não tem gerência sobre o programa nem tem
como intermediar o retorno. “A questão do milho é toda resolvida pela
Conab, já conversamos com a diretoria nacional com e com a Faern
(Federação da Agricultura do RN), com com o pessoal do semiárido que tem
acesso, mas não conseguimos, é uma caixa preta”, lamentou o secretário.


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