Embora seja comum encontrar jovens improvisando uma apresentação de hip
hop perto do cruzamento de Shibuya, um dos mais movimentados do mundo, a
poucos metros dali, clubes e boates funcionam escondidas e na
ilegalidade. O motivo? De acordo com uma lei sancionada em 1948, é
proibido dançar em clubes, bares e em locais públcos após a meia-noite.
Segundo a CNN, na última semana, autoridades japonesas foram à votação
para tentar abolir a lei que remonta à época da ocupação americana, após
a Segunda Guerra Mundial. Naquele período, salões de dança eram muitas
vezes uma fachada para a prostituição, galopante naqueles anos em que o
Japão estava assolado pela pobreza.
Mas os tempos são outros. O Japão é hoje uma das maiores economias do
mundo e exibe uma vibrante vida noturna. Os opositores da proibição
chamam a lei de opressiva e obsoleta.
A própria polícia fechou os olhos para o que acontecia nas boates nos
últimos anos, permitindo que o hábito se desenvolvesse nas décadas de
1970, 1980 e 1990, até que uma série de casos de drogas envolvendo
celebridades e a morte de um estudante de 22 anos vieram à tona,
inaugurando uma onde de detenções e ataques a clubes. Durante a chamada
"Guerra do Japão contra a Dança" policiais usaram a lei para prender
DJs e proprietátios de clubes noturnos.
Uma nova lei prevê que os locais de consumo e interação das boates não
sejam escuros, na tentativa de desencorajar o crime. Eles precisam ter
iluminação semelhante às das salas de cinema, quando as luzes estão
acesas. Os clubes mais escuros serão regidos sob a antiga lei e terá que
respeitar regras mais rígidas para operação após a meia-noite. Até que
as mudanças entrem em vigor em 2016, dançar durante a madrugada ainda é
proibido.
Muitos bares e discotecas japonesas colocaram cartazes de advertência em
suas portas de entrada, deixando os visitantes de primeira viagem
chocados com o aviso "É proibido dançar". As placas são, na verdade, uma
tentativa de evitar problemas com a polícia, que associam as discotecas
à violência, ao consumo de drogas e ao sexo.
Daizo Murata, proprietário do Sound Museum Vision e de outros clubes em
Tóquio, passou 21 dias na prisão por violar a lei japonesa, e desde
então tem aberto as portas de seus estabelecimentos com grande receio.
Ele faz parte de um movimento composto por músicos, DJs, advogados e
políticos, que clama por mudanças. Uma petição criada pelo músico
Ryuichi Sakamoto obteve mais de 150 mil assinaturas na tentaiva de
pressionar os legisladores a abolir a proibição à dança em 2013. Uma
comissão constituída por parlamentares da oposição foi incubida de
apresentar a revisão da lei ao parlamento em 2014. O rascunho sofreu
modificações por parte da polícia e do governo antes de ser ratificado
na semana passada.
Existe vontade política para que a lei seja implentada logo. Tóquio será
sede dos Jogos Olímpicos de 2020, e muitos japoneses acreditam que a
cidade não pode permanecer na surdina após a meia-noite. Além disso,
cerca de 50 clubes e 300 DJs de Tóquio estão formando a "Dance
Enterteinment Association" (DEA) para discutir questões relacionadas à
segurança das discotecas.
Foto: Twitter - Fonte: Terra

0 comments :
Postar um comentário