A essa altura, Vin Diesel (também produtor) e seus comparsas podem mirar sua fórmula para qualquer direção, adicionar velocidade e desrespeito às leis da física à mistura, depois relaxar e contar os milhões em banco. É isso. Mas não só isso.
A morte trágica de Paul Walker, em um acidente automobilístico em 2013, projeta uma sombra que o novo filme não consegue iluminar. Honestamente, nem pretende. Vin, o diretor James Wan (assumindo as rédeas de Justin Lin), o roteirista Chris Morgan e provavelmente um batalhão de executivos do estúdio tiveram de tomar as decisões difíceis não só para concluir o filme, mas também para honrar a memória do ator de maneira digna.
Não atrapalha o fato que, embaixo da adrenalina, das perseguições e da ação, Velozes & Furiosos sempre abraçou o conceito de “família”, da maneira mais cafona e honesta possível. Desde o primeiro filme, lá atrás em 2001, a história que desfila em cena é sobre uma família disfuncional, lutando (contra a Lei, contra bandidões casca-grossa, até uns contra outros) para permanecer unida.
E tem também isso aí….
E é na relação de Dominic Toretto (Diesel) e Brian O’Conner (Walker) que Velozes & Furiosos 7 se constrói como uma bela despedida. O plot é a desculpa para o mergulho no que significa ter uma família e lutar por ela – ao mesmo tempo em que aponta um futuro para a série, agora sem Walker. O gatilho é Jason Statham, irmão do terrorista deixado em frangalhos pelos protagonistas no filme anterior. Mercenário treinado para ser um flagelo de nações, ele jura vingança a Toretto e cia., iniciando a caçada pelo agente federal Hobbs (interpretado pelo suor de Dwayne Johnson). Para inverter o jogo, Dom aceita a oferta do elusivo Sr. Ninguém (Kurt Russell), que basicamente é o personagem de Bruce Willis em Os Mercenários: a equipe de Toretto recupera um dispositivo eletrônico (e a hacker que o criou) para a CIA, e em troca a agência disponibiliza os brinquedos para eliminar o malvadão defendido por Statham.
James Wan deixa os filmes de terror de lado e mostra entender com habilidade as engrenagens do cinema de ação. A coreografia das sequências que conduzem o filme mostra não só apuro visual, como uma ótima noção de narrativa e caracterização. A ação existe para os personagens, e não apesar deles. Os carros de pára-quedas são mesmo o melhor exemplo, mas não o único. E a destruição é ampliada em uma seqüência em Abu Dhabi (que tem ecos do cult O Super Carro Negro, com Tommy Lee Jones) e no clímax, quando todos retornam às ruas de Los Angeles em um jogo em que caça e caçador são constantemente invertidos. Depois da destruição, fica fácil adivinhar como Velozes & Furiosos pode prosseguir indefinidamente nessa nova matemática do “precisamos de sua equipe, Dom, vocês são os melhores”.
Porque os bons merecem um final feliz. Sem spoilers!
Antes disso, claro, a série se despede de Paul Walker de maneira
emocionante. O sentido de família, exaustivamente repetido por Dom
Toretto ao longo de sete filmes, ganha novo significado nas seqüência
que encerra o filme. Não só pela participação dos irmãos de Paul Walker
para ajudar a completar o filme (em nenhum momento as trucagens físicas e
digitais ficam evidentes, então não perca seu tempo procurando as
“emendas”), mas pela sensação de completude dada a seu personagem, que
já caminhava para tocar sua própria família longe da adrenalina, dos
tiros e dos carrões.
O texto escolhido por Vin Diesel para fechar Velozes & Furiosos 7
pode ter sido escrito para celebrar a amizade entre dois personagens de
ficção. Mas, no fim, é o adeus a um ator que ele aprendeu a chamar de
irmão.

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