Um
homem identificado como Márcio Martins de Oliveira soltou nesta
quarta-feira (9) pelo menos cinco pequenos roedores no plenário da CPI
da Petrobras logo depois que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto,
entrou no local para prestar depoimento. Os animais começaram a correr
sem rumo na comissão, o que provocou gritos e tumulto.
Os policiais legislativos que faziam a segurança da sessão correram para
pegar os bichos, enquanto parlamentares do PT gritavam que o ato era um
desrespeito à CPI. O homem foi conduzido pelos seguranças para depor na
Polícia Legislativa e, no início da tarde, foi liberado. De acordo com a
assessoria de imprensa da Casa, ele foi exonerado do cargo.
Segundo o deputado Ricardo Izar (PSD-SP), presidente da Frente
Parlamentar em Defesa dos Animais, os roedores eram um hamster, dois
esquilos-da-Mongólia e dois ratos cinzas sem raça aparente.
(Atualização:
depois da publicação desta reportagem, o G1 consultou o veterinário
Thiago Rodrigo Salvador. Ele analisou as imagens e identificou dois
hamsters -no vídeo, os animais sem rabo- e três esquilos-da-Mongólia,
com rabo. Segundo o especialista, são roedores, mas não podem ser
chamados de ratos.)
A assessoria da Câmara informou que Márcio Oliveira poderá responder
judicialmente por tumulto em ato público, uma contravenção penal. A
denúncia poderá ser oferecida após a conclusão das investigações pela
Polícia Legislativa.
Conforme a assessoria, no depoimento que prestou aos policiais
legislativos, Oliveira negou ter soltado os roedores e afirmou estar
sendo vítima de um equívoco. Imagens do circuito interno de TV da Câmara
dos Deputados serão analisadas para verificar o que ocorreu durante a
audiência.
Funcionário da Câmara
O
autor do ato (assista ao vídeo ao lado), de acordo com a assessoria da
Câmara, era funcionário em cargo de comissão da
Segunda-Vice-Presidência da Casa.
Segundo a assessoria da Câmara, Oliveira foi admitido no cargo em março
deste ano. Entre abril de 2014 e 8 de março de 2015, ele atuava como
secretário legislativo do deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o
Paulinho da Força.
Conforme informações do Portal da Transparência da Câmara, Oliveira
ocupava um Cargo de Natureza Especial (CNE) 15, com remuneração de R$
3.020,85.
No início da sessão, Paulinho afirmou ao G1 que o “povo” faria um ato
público na CPI, mas não especificou o que ocorreria. Após a confusão,
policiais legislativos passaram a barrar a entrada de pessoas
não-credenciadas no plenário.
"Nada nos impedirá de dar prosseguimento à CPI. [...] Nós iremos
prosseguir com o depoimento do senhor João Vaccari", afirmou o
presidente do colegiado, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), depois de os
roedores terem sido soltos no plenário.
O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), disse que queria deixar
registrado o “descontentamento” com a soltura dos ratos no meio da
sessão.
“Uma ação encomendada que depõe contra o parlamento. O circo armado
mostra o nível em que nos encontramos. Quero deixar registrado aqui o
meu descontentamento”, reclamou Luiz Sérgio antes de começar a formular
as perguntas ao tesoureiro petista.
Já o deputado petista Jorge Solla (BA) acusou o deputado Delegado Waldir
(PSDB-GO) de agir como "comparsa" do homem que soltou ratos no
plenário. Segundo ele, no momento em que Waldir reclamava que Vaccari
entrou na sala sem escolta policial, os ratos foram soltos.
Em meio à sessão, o deputado Valmir Prascidelli (PT-SP) disse que vai
pedir à Polícia Legislativa as imagens de segurança da Casa para saber
como os ratos foram levados à Câmara. O parlamentar petista afirmou aos
integrantes da comissão que quer saber se o homem que soltou os roedores
no plenário entrou acompanhado no Legislativo.
"Não podemos de forma alguma permitir que isso passe em branco. [...]
Vou fazer um requerimento das imagens das entradas desta Casa nos dias
de ontem e de hoje, e as imagens dos corredores, para nós sabermos se a
pessoa veio com esta caixa ou se ela foi trazida por alguém em conluio".
Roedores apreendidos
Os cinco roedores soltos no plenário da CPI da Petrobras foram
apreendidos e levados para o Departamento de Polícia Legislativa da
Casa.
O deputado Ricardo Izar (PSD-SP) pediu oficialmente à Câmara para ficar
com a guarda dos animais. "Vou levar os ratinhos para o veterinário e
eles irão para a minha casa", disse Izar ao G1.
Segundo Izar, o hamster aparenta ter sido machucado durante a confusão
na CPI. Os demais animais, informou o parlamentar, não apresentam
ferimentos. "O hamster está um pouco abatido. Não parece estar bem.
Vamos analisar medidas para adotar, já que maus-tratos aos animais é
crime", ressaltou o deputado do PSD.
De acordo com a Associação Brasileira de Criadores e Comerciantes de
Animais Silvestres e Exóticos (Abrase), o esquilo-da-Mongólia é um
animal exótico comercializado no Brasil há pelo menos 30 anos.
Considerado doméstico, somente criadouros e lojas especializadas em pets
têm autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais (Ibama) para vender exemplares.
Em estabelecimentos de São Paulo, cada bicho dessa espécie é oferecido a
R$ 22. No Distrito Federal, os esquilos-da-Mongólia são vendidos a R$
30. Em média, um exemplar vive de 4 a 5 anos.
Após a confusão, um dos seguranças da Câmara levou dois dos roedores
capturados no plenário da CPI para o lado de fora do prédio do
Legislativo.
No percurso, o policial legislativo foi seguido por jornalistas que tentavam registrar imagens dos animais.




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