Beber durante o expediente com o aval do chefe é um sonho para milhares de pessoas, mas alguns privilegiados conseguem fazer
o que, para a maioria das profissões, parece ser impossível. Uma
agência de comunicação em São Paulo, os funcionários podem beber sempre
que têm vontade, especialmente quando vão escrever sobre o assunto.
Desde que a informação foi publicada,
em abril do ano passado, mais de 350 mil pessoas curtiram a matéria no
Facebook, e centenas de pedidos de emprego foram enviados à empresa.
Foram
uns 200 currículos nesse período, mencionando a permissão de beber
durante o expediente. Tem muita gente querendo trabalhar aqui, de
operadores de máquinas a gerentes financeiros. Somos uma empresa
pequena, com sete funcionários, mas todo mundo quer uma vaga — disse,
com bom humor, a sócia da empresa, Miriam Matos, de 43 anos.
E para trabalhar na empresa, só gostando da bebida:
Hoje não temos ninguém aqui que não goste de cerveja porque 70% dos nossos clientes são desse meio.
Quando faço processo seletivo acabo excluindo as pessoas que não bebem.
Já gostei muito de duas candidatas, mas vi que elas não tinham o nosso
perfil — contou.
Amigos ‘invejam’ funcionários
A jornalista Roberta Santana, de 25 anos, está na agência desde 2013.
Ano passado, investiu num curso de sommelier para entender mais sobre o
assunto que escreve, e passou de quatro a cinco meses estudando.
O curso me ajudou porque consigo analisar as cervejas dos meus
clientes. Todos os meus amigos dizem que é o emprego dos sonhos. Quem é
que não quer trabalhar e beber uma cervejinha no meio do expediente? —
brinca a jovem, destacando que tem o privilégio de, mesmo não trabalhar
com a produção de cerveja, unir duas paixões.
Mas a degustação, claro, é sempre com moderação.
Nunca tivemos problemas com nenhum funcionário. Certa vez fui
experimentar uma cerveja holandesa com teor alcoólico de 14% e, quando
tomei metade da lata, senti algo diferente. Fiquei até tonta. O único
episódio de exagero foi esse mesmo com a chefe. É tudo muito moderado, e
deixamos mais para o final da tarde. Depois das 15h a gente abre
algumas garrafas — conta Miriam Mattos.

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