- Se nossa hipótese sobre o Monte Sharp se sustentar, ela desafia a noção de as condições mais quentes e úmidas eram transitórias, localizadas ou só encontradas no subsolo de Marte – diz Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa. - Uma explicação mais radical é que a antiga e mais densa atmosfera de Marte elevava as temperaturas acima do ponto de congelamento, mas até agora não sabemos como a atmosfera fazia isso.
De acordo com os pesquisadores da Nasa, o Monte Sharp exibe camadas de material que seriam testemunhas do processo de enchimento e evaporação do lago marciano. Atualmente, o Curiosity investiga as camadas mais baixas destes depósitos de sedimentos, um trecho de rocha de 150 metros de comprimento apelidado Formação Murray.
Estamos a caminho de solucionar o mistério do Monte Sharp – afirma John Grotzinger, cientista-chefe do programa Curiosity no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). - Onde hoje temos uma montanha pode ter sido outrora uma série de lagos. E a grande coisa sobre um lago que se forma repetidamente é que cada vez que ele retorna serve como um experimento de que como o ambiente está se comportando. À medida que o Curiosity escalar o Monte Sharp, teremos uma série de experimentos para mostrar como os padrões atmosféricos, a água e os sedimentos interagiram. Poderemos ver como a química do lago mudou com o tempo.
Apesar de evidências anteriores de diversas missões a Marte terem apontado a existência de um ambiente mais úmido no planeta no passado, os modelos sobre o antigo clima marciano ainda não conseguiram identificar as condições que produziram longos períodos mais quentes de forma que a água permanecesse em estado líquido na sua superfície. E um dos principais objetivos da missão Curiosity é justamente avaliar a existência destes ambientes potencialmente habitáveis em Marte e como eles mudaram ao longo de milhões de anos. O projeto é um dos muitos que estudam e estudaram o planeta em preparação para uma planejada missão tripulada da Nasa a Marte em meados dos anos 2030.
O Globo


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