A polícia
tenta descobrir quem são os três homens que assaltaram na noite de
anteontem o cardeal d. Orani Tempesta, arcebispo do Rio. O religioso foi
dominado por criminosos, por volta de 20h30 de segunda-feira, em Santa
Teresa, no centro do Rio. No carro, com o cardeal, estavam um
seminarista, o motorista e o fotógrafo da Arquidiocese. Eles seguiam
para a Glória, após participar de um encontro com bispos na Residência
Assunção, no Sumaré, bairro vizinho de Santa Teresa. Os quatro foram
roubados.
O fotógrafo Gustavo de Oliveira, de 54 anos, contou que d. Orani estava
no banco de passageiro quando, ao descerem a Estrada do Sumaré, se
depararam com um veículo com as luzes apagadas. Os três criminosos (um
deles armado) saíram do carro e anunciaram o assalto. Pelo menos um
deles seria menor de idade. "O que estava com a arma perguntou ao d.
Orani: 'O senhor é da Igreja?' Ele respondeu que sim. 'O senhor me
perdoa? Eu não queria fazer isso'", disse Oliveira, que teve o material
fotográfico roubado.
De d. Orani, os assaltantes levaram um colar com a cruz peitoral o telefone celular ,
uma caneta, dois terços de prata e uma cópia do anel que o religioso
recebeu em janeiro do papa Francisco, ao ser nomeado cardeal. Os bens
foram recuperados ainda na noite de anteontem, abandonados dentro de uma
mochila em uma rua de Rio Comprido. A polícia encontrou a batina levada
do seminarista e os documentos das demais vítimas. Mas nada dos
equipamentos do fotógrafo, que calculou R$ 25 mil de prejuízo.
O carro usado no crime, um Citroën C3 prata, também foi abandonado, e
encontrado por policiais segunda à noite próximo da comunidade do
Escondidinho, em Santa Teresa. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo
Paes (PMDB), afirmou que o crime é um reflexo do momento vivido pela
cidade. "É lamentável."
Agência Estado

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