A bebê Ysabella Maria Pinheiro Reis, de três meses, faz aniversário
nesta quinta-feira (18), mas o dia não será de festa para a mãe Luciane
Reis dos Santos, 22 anos. A criança possui cardiopatia congênita, uma
doença grave que causa problemas na estrutura e na função do coração.
Isabela está internada na UTI do Hospital Geral de Palmas (HGP) desde o
último dia 2 agosto. Apenas uma cirurgia poderia resolver o problema,
mas o procedimento não é feito no Tocantins.
A mãe, que mora em Pequizeiro, cidade a 274 km de Palmas, tem vivido
dias de angústia na capital. Para ficar mais perto da filha, Luciane diz
que "chega ao HGP às 10h e só sai às 22h". Além da tristeza de ver a
recém-nascida internada, a dona de casa conta que o sentimento de
desespero aumenta porque o Estado informou, segundo ela, que a cirurgia
havia sido agendada em um hospital de Goiânia, mas para o dia 24 de
novembro.
"Nós queremos que o Estado agilize esta data porque ela não aguenta até
lá. O médico disse que a cirurgia precisa ser feita de imediato. O caso
dela é grave demais", afirmou Luciane.
Entenda
Luciane e o marido souberam do problema da filha em julho deste ano,
quando a criança passou mal e os pais tiveram que sair dePequizeiro com
destino a Palmas. Foi na capital que os pais souberam que Ysabella
estava com cardiopatia. Segundo a mãe, primeiro, a criança foi internada
no Hospital Infantil Público de Palmas.
"Ela ficou nove dias internada lá, depois recebeu alta, mas no dia 2 de
agosto acordou passando mal e a levamos para um hospital privado. Dia 28
de agosto conseguimos vaga no HGP e ela está lá até hoje".
Nota da Redação
Por causa da demora e para agilizar a data da cirurgia, a dona de casa
procurou o Ministério Público Estadual (MPE), em Palmas. A assessoria de
comunicação do órgão informou que a procuradoria entrou com uma Ação
Civil Pública no dia 20 de agosto para que o Estado encaminhasse a bebê
para realizar a cirurgia em outra cidade. No pedido, o MPE solicitou a
transferência imediata da criança por meio de UTI aérea. No dia 21 de
agosto, o juiz condeceu decisão liminar, mas o Estado descumpriu.
Em 5
de setembro, a procuradoria voltou a acionar a justiça e no dia 9, o
juiz encaminhou notificação para que o Estado se manifeste acerca da
decisão. A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) recebeu a intimação
nesta segunda-feira (15) e tem três dias para se manifestar sob pena de
ser responsabilizada criminalmente. Em nota, a Sesau informou que a
recém-nascida já está cadastrada na Central Nacional de Regulação do
Ministério da Saúde e que já solicitou urgência para a transferência da
paciente, mas que ainda não obteve êxito, apenas o agendamento para
novembro. A secretaria disse ainda que está em busca de vagas nos
serviços privados.
Foto: Luciane Reis dos Santos/VC no G1 -Fonte: G1 TO

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